“A UAE não facilitou minha saída, é uma decepção” campeã da Vuelta a España faz fortes críticas após deixar a equipe, assista o vídeo

A campeã da Vuelta a España 2026, Paula Blasi, foi anunciada na última quarta-feira como a nova ciclista da Movistar, com contrato válido pelas próximas 3 temporadas.

Depois de 3 anos na UAE Team L’IMAD e suas equipes antecessoras, a espanhola encerrou seu vínculo com a equipe, mas sua saída esteve longe de ser tranquila. Em entrevista a jornalista Laura Álvarez do Eurosport, Paula Blasi não escondeu sua insatisfação com as dificuldades que enfrentou para concretizar a transferência.

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Paula Blasi deixa a UAE Team L’IMAD após 3 temporadas

“Eles não facilitaram minha saída, é uma decepção“

“Eles não facilitaram minha saída”, iniciou a espanhola, ao explicar que as conversas continuaram complicadas apesar do pagamento previsto para encerrar antecipadamente seu contrato.

“Mesmo depois de pagar a cláusula de rescisão, eles não ficaram satisfeitos e continuaram pedindo muito dinheiro. Como eu ganhava o salário mínimo, que é o que venho ganhando o ano todo. Obviamente não tinha condições de pagar mais. Foi muito difícil.”

A maneira como a situação foi conduzida deixou marcas na vencedora da Amstel Gold Race e da Vuelta Femenina.

“É mais do que ressentimento; é uma decepção. Eu entendo que é um trabalho e que isso é um negócio, mas, no fim das contas, o ciclismo, mais do que outros trabalhos, exige um toque humano. Você precisa manter as pessoas felizes.”

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Paula Blasi cruza a linha de chegada da 7ª etapa da Vuelta a España no Angliru e vence a competição

“O problema estava com a gestão da equipe”

Com a transferência finalmente concluída e aprovada pela UCI, a espanhola afirmou que conseguiu se livrar de uma preocupação que vinha acompanhando o processo.

“Agora posso finalmente respirar”, disse Blasi. “Tudo é oficial, tudo está assinado, tudo foi aceito pela UCI.”

Apesar das críticas, Blasi fez questão de reconhecer a qualidade das companheiras de equipe. Para ela, os problemas estavam principalmente relacionados às decisões tomadas pelos responsáveis pela equipe, e não à capacidade das ciclistas.

“Havia muito potencial na UAE, e eu realmente acho que as meninas são muito fortes. Mas acho que o problema estava em um nível superior, talvez com alguns dos diretores ou da gestão da equipe.”

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Paula Blasi ao vencer a 2ª etapa da Vuelta a Catalunya e confirmando o triunfo na Classificação Geral

“Foi Elisa Longo Borghini quem trouxe um pouco mais de paz”

Na opinião da espanhola, a falta de uma definição clara sobre quem deveria liderar as corridas prejudicava o funcionamento coletivo. “Quando 3, 4 ou 5 ciclistas podem vencer e ninguém define o rumo, a prova se torna mais uma disputa individual do que uma corrida por equipes.”

Mesmo diante das tensões vividas na equipe, Blasi destacou a contribuição da campeã italiana Elisa Longo Borghini, cuja experiência foi importante para preservar a harmonia do grupo durante o Tour de France.

“Foi ela quem trouxe um pouco mais de paz”, afirmou a espanhola, reconhecendo o papel desempenhado pela colega de equipe na tentativa de manter o ambiente unido.

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Elisa Longo Borghini trabalha para Paula Blasi (atrás) durante o Tour de France

Liderança dividida com Marlen Reusser

Na Movistar Team, Blasi espera encontrar uma estrutura mais familiar, com funções e responsabilidades bem definidas. Em sua avaliação, haverá uma oportunidade de assumir um protagonismo ao lado da suíça Marlen Reusser.

A expectativa é que Reusser concentre parte de seu calendário no Giro d’Italia, enquanto Blasi terá como principal objetivo defender o título conquistado na Vuelta a España. A participação das duas no Tour de France, por outro lado, ainda não está confirmada.

Mesmo assim, Blasi demonstrou otimismo quanto à possibilidade de alinhar ao lado de Reusser na principal corrida francesa, desde que ambas estejam em boas condições e recebam a aprovação necessária.

“Está bem claro. Se for aprovado e ambas estivermos em boa forma quando o Tour começar, meu objetivo é que corramos juntos, no entanto as clássicas das Ardenas ainda estão um pouco incertas”, finalizou Paula Blasi.

Assista a entrevista completa

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