“A Visma-Lease a Bike está com dificuldades financeiras, muitos ciclistas estão saindo” Bjarne Riis põe em duvida a solidez financeira da equipe
Durante anos, a Visma-Lease a Bike foi vista como uma referência de força dentro do World Tour. No entanto, segundo Bjarne Riis, ex-diretor de equipe, sua capacidade financeira já não acompanha o ritmo das novas gigantes do ciclismo mundial.
Para ele, o cenário atual revela uma mudança no equilíbrio de forças, que deixa a equipe holandesa em desvantagem.

“Não é só falta de dinheiro, é competência”
Em entrevista ao site dinamarquês Feltet, Bjarne Riis destacou o poder financeiro crescente de equipes como a UAE Team Emirates.
“Uma coisa é que eles têm muito dinheiro, a UAE Emirates. Outra coisa, e mais importante, é que eles são bons no que fazem.”
Riis reforça que não se trata apenas de dinheiro ilimitado, mas de boa gestão e visão esportiva: “Sim, eles podem ter um orçamento ilimitado, é assim que as regras funcionam”.
“Não há teto salarial. Grandes equipes como a UAE e a Lidl-Trek seguem as regras e têm sido boas em contratar pessoas talentosas e encontrar jovens ciclistas com grande potencial. Não é porque as outras não têm dinheiro.”

“Equipes francesas acham injusto que haja equipes com muito mais recursos financeiros”
E ele vai além, apontando para uma mentalidade que considera equivocada em outras equipes, especialmente na França: “Muitos acham terrível que haja equipes com muito mais recursos financeiros do que outras. Isso é especialmente verdade entre as equipes francesas”.
“Elas acham injusto. Não, não é. As outras equipes simplesmente precisam melhorar. Não há limitações financeiras no momento. Lidem com isso em vez de reclamar”, provoca Bjarne Riis.

“Não acho que a Visma seja a 2ª ou 3ª do pelotão em termos de economia”
Quando se trata de poder econômico, Riis acredita que a Visma-Lease a Bike está em desvantagem clara:
“Não acho que a Visma esteja nem perto de ser a 2ª ou 3ª colocada no pelotão em termos de economia. Eles estão bem longe das 3 maiores, UAE, Lidl-Trek e Red Bull–BORA–hansgrohe, eu diria.”

“Muitos dos seus ciclistas mais fortes estão saindo”
“Para mim, eles estão com dificuldades financeiras, porque muitos de seus ciclistas mais fortes estão saindo. Não é porque eles não querem mantê-los”.
“Eles optaram por apostar pesado em Wout van Aert e Jonas Vingegaard, e os ciclistas que estão logo abaixo deles estão saindo porque a equipe simplesmente não tem condições de mantê-los.”
Nesta temporada, nomes como Tiesj Benoot, Olav Kooij, Attila Valter, Dylan van Baarle e Cian Uijtdebroeks já deixaram a equipe, sem reposições à altura. Riis interpreta isso como um indício de restrição orçamentária.

“Quando minha equipe atingiu o auge, tínhamos 85 funcionários. Agora, as equipes tem até 120”
Riis fala com propriedade sobre a logística e os gastos das grandes equipes, já que comandou projetos de alto nível entre 2001 e 2013, como CSC, Saxo Bank e SunGard, até vender a estrutura a Oleg Tinkoff:
“Quando minha equipe atingiu o auge, tínhamos 85 funcionários. Agora, a maioria das grandes equipes tem até 120. Simplesmente exige mais gente para administrar uma equipe, então, para muitas, faria sentido fazer uma fusão.”
É nesse contexto que ele vê a fusão recente entre Lotto e Intermarché-Wanty como um movimento natural para garantir espaço no WorldTour.

“Não entendo por que não há mais equipes se fundindo. É preciso cada vez mais para chegar ao topo do ciclismo internacional”.
“É difícil abrir mão do controle, mesmo que faça sentido para a organização. Trata-se de abrir mão do poder, assim como em todas as grandes empresas que precisam ser otimizadas. As equipes de ciclismo muitas vezes se apegam à ideia de que ainda podem competir no topo”, finalizou Bjarne Riis.