Alberto Contador analisa francamente o Giro d’Italia “só uma queda ou uma doença tira a vitória de Jonas Vingegaard”, assista o vídeo
A lenda do ciclismo espanhol Alberto Contador, participou de um programa do canal AS, no qual analisou o desafio de Jonas Vingegaard em completar a chamada Tríplice Coroa (vencer os 3 Grand Tours) no Giro d’Italia 2026.
O espanhol integra um seleto grupo de ciclistas que alcançaram esse feito, ao lado de Jacques Anquetil, Bernard Hinault, Felice Gimondi, Vincenzo Nibali, Eddy Merckx e Chris Froome. Atualmente diretor do ProTeam Polti VisitMalta, Contador também comentou as ambições do time para a edição deste ano do Grand Tour italiano.

“Queremos vencer uma etapa do Giro d’Italia”
Segundo o ex-campeão espanhol, a prioridade da equipe será buscar vitórias parciais e aproveitar oportunidades em fugas.
“O objetivo da Polti VisitMalta é garantir uma vitória de etapa. Isso significa entrar em fugas e manter uma presença na corrida. Somos uma equipe que precisa de visibilidade e de ser vista”.
“Queremos vencer uma etapa, como fizemos no Zoncolan com Fortunato (2021) ou no Gran Sasso com Bais (2023). Atualmente, não temos um ciclista como Piganzoli para estar perto do top 10, mas temos uma equipe jovem e acho que podemos fazer um bom Giro d’Italia“.

“Fugas dependerão de Jonas Vingegaard“
O percurso do Giro deste ano apresenta diversas oportunidades tanto para velocistas quanto para fugas. Para Contador, o comportamento de Vingegaard e da Visma-Lease a Bike poderá influenciar diretamente o sucesso das fugas.
“Tudo dependerá da atitude de cada ciclista e de sua equipe, especialmente a de Vingegaard. Se ele buscar o máximo de vitórias, como fez em outras corridas, isso afetará significativamente as chances de fugas”.
“Se, por outro lado, ele adotar uma postura mais cautelosa, pensando no Tour de France, poderá criar mais oportunidades. Sua estratégia e a da Visma-Lease a Bike influenciarão bastante as chances de vitória em fugas“.

“Vingegaard é confiável e calculista, está acima dos demais“
Mesmo com as ausências de João Almeida e Richard Carapaz, Contador acredita que isso não altera de maneira significativa o favoritismo do líder da Visma.
“Não creio que isso o afete muito. Pode causar algumas dores de cabeça táticas se certos ciclistas conseguirem escapar e obrigarem a sua equipe a trabalhar mais, mas não mudará fundamentalmente a situação”.
“Ele é um ciclista muito confiável e calculista, e está acima dos demais neste momento. Não deverá ter um impacto significativo no seu desempenho“.

“Só algo inesperado, como uma queda ou uma doença tira a vitória de Vingegaard”
Ao ser questionado se o Giro d’Italia de 2026 pode repetir um domínio semelhante ao apresentado por Tadej Pogacar em 2024, o espanhol concorda, destacando a consistência de Vingegaard.
“Só algo inesperado, como uma queda ou uma doença devido ao clima, poderia mudar as coisas. Ele é um ciclista muito consistente; nunca o vimos passar por uma crise real”.
“Quando perdeu, foi porque Pogacar foi melhor, não por erros dele. Em circunstâncias normais, será difícil imaginar um resultado muito diferente“.

“O ciclismo moderno depende muito de treinos em altitude“
Para Contador, disputar o Giro d’Italia antes do Tour de France não representa necessariamente uma vantagem ao dinamarquês. “Isso não o ajuda. O ciclismo moderno depende muito de períodos de treino em altitude e de chegar descansado às corridas”.
“O Giro é uma prova muito dura, mesmo que o nível médio seja inferior ao do Tour. Fisicamente, é muito exigente. Se é uma decisão interessante ou inteligente, já é outra questão: vencer o Giro e garantir uma vitória em um Grand Tour nesta temporada é um objetivo atraente para a equipe“.

“Disputar o Giro não ajuda na preparação para o Tour“
O espanhol também comentou a percepção de queda no nível médio do Giro nos últimos anos e apontou o impacto do calendário e da preparação para o Tour.
“Sem Vingegaard ou Pogacar, muitas vezes parece que a competição fica mais fraca, mas isso não é totalmente verdade. No ano passado, havia alguns ciclistas muito fortes na largada”.
“O problema foi que muitos desistiram devido a quedas ou doenças (caso de Primoz Roglic e Juan Ayuso), o que afetou a corrida. Além disso, há um fator crucial: disputar o Giro não ajuda na preparação para o Tour. É por isso que muitas equipes preferem poupar seus líderes e gregários para a prova francesa“, concluiu Alberto Contador.