“As bicicletas estão se comportando como motocicletas” chefe do Tour de France admite preocupação com velocidade do pelotão
A segurança dos ciclistas tem sido motivo de debates intensos nos últimos anos. Os recentes protestos realizados antes do início do Il Lombardia e da Paris-Tours voltaram a colocar o assunto em evidência.
O chefe de segurança do Tour de France, Thierry Gouvenou, manifestou sua preocupação em relação ao aumento da velocidade no ciclismo profissional, em entrevista ao canal Road.cc, “nós, os organizadores, também estamos pedindo medidas para reduzir a velocidade”, afirmou o francês.
“Essas bicicletas parecem mais motocicletas”
Gouvenou, que também é responsável pelo desenho do percurso do Tour de France, supervisiona a segurança de outras provas organizadas pela ASO (organizadora do Tour de France) e integra a Comissão SafeR. Para ele, a evolução do ciclismo está criando novos desafios, especialmente nas descidas.
“Aceitei ser o chefe de segurança de uma corrida de ciclismo; não quero acabar sendo o chefe de segurança de uma corrida de motociclismo. No momento, nas descidas, essas bicicletas parecem mais motocicletas do que bicicletas”, declarou.
“As corridas evoluíram, os ciclistas estão cada vez mais rápidos, e isso torna mais difícil para os organizadores garantirem a segurança do percurso”, complementou o francês.
Apesar das preocupações, o dirigente reconheceu a importância de ouvir os atletas e buscar soluções conjuntas. “Eu entendo os ciclistas; eles não sobem em suas bicicletas pensando em acabar inválidos ou mortos. Vamos sentar e discutir isso, isso é claro. Já estamos fazendo isso”, garantiu.
“As pessoas respeitam cada vez menos as leis”
Um dos principais obstáculos apontados por Gouvenou é a própria natureza do ciclismo. “A natureza do ciclismo de estrada é que ele acontece em um ambiente aberto, não em um estádio. São vias públicas onde alguns indivíduos podem optar por ignorar as regras e a sinalização e entrar no percurso”, explicou.
“Investimos muito dinheiro em segurança, e ainda assim, manter uma economia sustentável é complexo, não dá para colocar um policial em frente a cada casa ou em cada esquina. Ao mesmo tempo, as pessoas respeitam cada vez menos as leis“, acrescentou.
“Modificações no sistema de sinalização das corridas”
Segundo Gouvenou, um regulamento previsto para entrar em vigor no próximo ano estabelecerá um padrão para a sinalização direcional e de perigo em todas as corridas sancionadas pela UCI.
“Os organizadores concordaram em modificar o sistema de sinalização das corridas. O mesmo sinal será sempre usado para indicar perigos, descidas ou curvas; isso, sem dúvida, melhorará a segurança”, afirmou.
Além das mudanças na sinalização, outras iniciativas estão sendo avaliadas para reduzir os riscos no pelotão. Entre elas estariam a possível utilização de airbags, o emprego de tecnologia GPS, o treinamento dos ciclistas e a discussão sobre a adoção de limites de velocidade.
Segundo Gouvenou, diferentes propostas estão avançando e algumas poderão ser anunciadas em breve.
“Há muitas iniciativas em andamento que estão começando a tomar forma. Acredito que em breve estaremos em condições de fazer alguns anúncios”, finalizou o organizador.