Campeão da Vuelta prevê atritos entre Primoz Roglic e Evenepoel; “Roglic não esperou Lipowitz, fará com Evenepoel?”, assista o vídeo
A transferência de Remco Evenepoel para a Red Bull BORA-Hansgrohe foi a maior notícia do ciclismo nesta semana. O belga, vencedor da Vuelta a España de 2022, dividirá espaço com Primoz Roglic, tetracampeão da prova e que já demonstrou possuir restrições, às divisões de liderança nas equipes onde passou.
Com isso a mudança gerou debates sobre possíveis dinâmicas internas na equipe, e Chris Horner, campeão da Vuelta a España em 2013, compartilhou sua análise em seu canal no YouTube.

“É uma transferência enorme, mas vejo complicações”
Horner iniciou comentando o impacto da mudança, mas ressaltou potenciais desafios: “É uma transferência enorme, mas vejo algumas complicações. Roglic já está lá com o clube dele, e tem o Florian Lipowitz”.
“Nem estamos considerando outros caras como Daniel Felipe Martínez, Jai Hindley, Aleksandr Vlasov e Giulio Pellizzari. Há perguntas que precisam ser respondidas, e não acho que haja garantia de que este será realmente o time do Remco.”

“Primoz Roglic e Remco Evenepoel se darão bem?”
O ex-ciclista americano levantou dúvidas sobre a relação entre os dois líderes: “Será que Evenepoel e Roglic se darão bem? Em 2023, Roglic teve dificuldade em ceder a Vuelta a Sepp Kuss, e a Visma também o deixou para trás”.
“Este ano, no Tour, vimos que Roglic não esperou por Lipowitz, quando ele ficou em 3º na classificação geral e vestiu a camisa branca. Então, me parece que o problema número 1 para a Red Bull-BORA-Hansgrohe é: será que Roglic e Evenepoel se darão bem?”

“Você precisará dos dois em julho”
Horner acredita que, apesar de possíveis divisões, a equipe deve colocá-los lado a lado em competições importantes: “Você pode mandá-los para outras corridas durante a maior parte da temporada, mas precisará dos dois em julho”.
“Se eu fosse o chefe da equipe, eu os colocaria juntos em outras corridas importantes também. Assim, eles aprenderão a lutar por vitórias juntos e criarão uma química diferente dentro da equipe, onde confiarão uns nos outros.”

“Evenepoel não tem problema em ajudar companheiros de equipe”
O americano elogiou a postura colaborativa do belga, mas voltou a questionar Roglic: “Vi que Evenepoel não teve problemas em ajudar seus companheiros de equipe no passado, então isso não é um ponto de interrogação para mim”.
“A grande questão é: Roglic pode fazer o mesmo por Evenepoel? Juntos, eles podem enfrentar Tadej Pogacar, inclusive nas clássicas. Mas, para isso, também precisam de ciclistas como Vlasov, Martinez e Hindley: todos precisam estar na mesma página.”
“Vimos isso este ano em Liège-Bastogne-Liège e no Tour de France, mas também na Vuelta a España de 2023, vencida por Sepp Kuss. Esse é um problema que eles terão que resolver também na Red Bull-BORA-Hansgrohe”, finalizou Chris Horner.