Campeão da Vuelta da España rebate críticas da Visma-Lease a Bike “desacelere sua equipe, não entrem em pânico”, assista o vídeo
O campeão da Vuelta a España (2013) e atual comentarista no YouTube, Chris Horner, expressou sua opinião sobre as críticas feitas por Richard Plugge, diretor da Visma-Lease a Bike, sobre o percurso do contrarrelógio por equipes de abertura Tour de France de 2026.
Plugge afirmou que o modelo que registra os tempos individuais tira o aspecto coletivo da prova, afirmando: “Este não é um contrarrelógio por equipes, é mais uma preparação para o líder”.
Horner afirma “não ter gostado nada das observações do dirigente”. “Por que você precisa de 4 ou 5 ciclistas terminando juntos? Por que não todos os 8? Eu gosto de variar”, inicia Chris Horner.

“A Visma não pode se dar ao luxo de explodir toda a equipe na primeira etapa”
O Tour de 2026 manterá as 21 etapas e dois dias de descanso, mas o foco inicial de Horner recaiu sobre o contrarrelógio inaugural de 19,7 km. Segundo ele, a Visma-Lease a Bike corre o risco de comprometer toda a prova se for agressiva demais logo no início.
“A Visma não pode entrar na primeira etapa tratando-a como uma etapa decisiva. Se fizer isso, corre o risco de destruir toda a sua equipe antes mesmo da corrida começar.”
Horner aconselhou que Plugge priorize a coesão entre os principais nomes da equipe, Jonas Vingegaard, Sepp Kuss, Simon Yates e Wout van Aert, em vez de buscar segundos preciosos contra Pogacar.
“É melhor perder alguns segundos para Pogacar do que perder sua equipe completamente. Você quer Jonas, Sepp, Yates, Van Aert, todos dentro da janela da classificação geral após a primeira etapa. Isso lhe dá poder tático mais tarde.”

“Desde aquela Vuelta de 2023, eles têm sido um desastre”
O ex-ciclista também fez uma avaliação dura sobre o desempenho recente da Visma, que passou por uma sequência de lesões e instabilidade após o sucesso nos 3 Grand Tours de 2023.
“Desde aquela Vuelta, eles tiveram quedas, doenças, trocaram Roglic… eles têm sido um desastre. Kuss não parece o mesmo de 2023. Está sólido, sim, mas não é o mesmo ciclista daquele ano.”

Horner destacou que o contrarrelógio de Jonas Vingegaard no Tour de 2023 foi uma das atuações mais impressionantes que já assistiu.
“O contrarrelógio que Jonas fez em 2023 foi uma das performances mais dominantes que já vi. Pogacar foi brilhante, mas Jonas estava em outro planeta. Se ele conseguir voltar a esse nível, veremos outro duelo de verdade em 2026.”

“Se a UAE perder um ciclista como João Almeida, pode se ver expostos”
A 3ª etapa do Tour 2026 terá a 1ª chegada em subida em Les Angles, com inclinação de 6,8%, algo que, segundo Horner, deve favorecer o controle de ritmo das equipes em vez de ataques explosivos.
“É uma subida mais suave, o que significa que o controle da velocidade será mais importante. Isso tira a maior vantagem de Pogacar. Se a UAE perder um homem forte como João Almeida, que caiu no início de 2025, podem se ver expostos.”

“Remco perde força na 3ª semana, Pogacar se fortalece, ele vai vencer o ITT”
Horner destacou que o contrarrelógio individual da 16ª etapa, com subida de 4%, deve favorecer Pogacar. “Remco perde força na 3ª semana, e Pogacar continua se fortalecendo. Se há um TT que ele vai vencer, é esse.”
Porém, ele acredita que o bloco final de montanha, com duas passagens pelo Alpe d’Huez, será o ponto mais dramático do Tour: “Vai ser incrível, uma verdadeira disputa até o final”, finalizou Chris Horner.

Recado para Richard Plugge “desacelere um pouco sua equipe“
Encerrando sua análise, Horner mandou um recado para Richard Plugge. “O contrarrelógio por equipes será crucial. Cheguem saudáveis, mantenham-se unidos e não entrem em pânico por causa de alguns segundos para Pogacar”.
“Como Jonas Vingegaard já disse muitas vezes: o Tour nunca é vencido em segundos. É vencido em minutos. Então, desacelere um pouco sua equipe, Plugge, mantenha todos juntos e dê a si mesmo a chance de lutar taticamente mais tarde na corrida”, finalizou Chris Horner.