Campeão do Tour de France critica estratégia de Jonas Vingegaard “você não pode dizer que está voando e não atacar”
Jonas Vingegaard chega ao seu primeiro dia de descanso do Tour de France a 1 minuto e 17 segundos de seu principal rival, Tadej Pogacar, na classificação geral.
Apesar da desvantagem, o dinamarquês e sua equipe, a Visma-Lease a Bike, têm mantido um discurso otimista e confiante, algo que chamou a atenção de Bjarne Riis, vencedor do Tour em 1996 e compatriota de Vingegaard.

“Muitos fãs provavelmente ficaram decepcionados com Jonas”
“Embora Jonas Vingegaard e Tadej Pogacar tenham cruzado a linha de chegada juntos, o que significa que não houve mudança na classificação geral, ainda aprendemos algumas coisas”, avaliou Riis ao site BT.dk, após a 10ª etapa.
“Deixe-me começar com a subida final, onde Vingegaard estava colado à roda do esloveno e optou por não atacar, apesar de ser ele quem precisa recuperar o tempo.”
“Muitos fãs provavelmente ficaram decepcionados por Jonas não ter tentado um ataque próprio. Não ficou bonito, mas pode ter sido a decisão mais inteligente, evitar o risco de um contra-ataque de Pogacar se ele tivesse atacado”, analisou. “Ainda assim, fiquei intrigado com uma coisa.”

“Você não pode dizer que está voando e depois não atacar”
A maior crítica de Riis recai sobre a aparente contradição entre as declarações e as ações do ciclista da Visma-Lease a Bike.
“Depois da etapa, Jonas mal conseguiu se conter, dizendo que estava se sentindo ‘insanamente forte’. Para mim, isso soa um pouco vazio, já que ele não fez uma única tentativa de pressionar Pogacar”, apontou Riis.
“Você simplesmente não pode dizer que está voando e depois não atacar. Na minha opinião, isso é um erro. Também cai um pouco no vazio quando, como a Visma-Lease a Bike fez, você faz uma etapa espetacular, para absolutamente nada acontecer no final.”

“Estou decepcionado em ouvir Jonas falar sobre o quão forte ele está, sem atacar”
O ex-ciclista também cobrou atitude diante do risco: “Francamente, estou decepcionado em ouvir Jonas falar sobre o quão forte ele está se sentindo sem comprovar isso com ação”.
“Ele precisa acreditar que pode sobreviver a um contra-ataque de Pogacar. Mas, neste momento, não parece que ele ousa testar isso.”
Para Riis, a única forma de vencer Pogacar passa por assumir riscos: “Outro dia, expliquei como Jonas precisa correr riscos, que ele deve estar disposto a perder segundos para ganhar minutos. Talvez ele tivesse perdido 10 segundos tentando atacar Pogacar, mas pelo menos o teria forçado a se esforçar.”
Ainda assim, Riis faz uma ressalva importante. “Não me interpretem mal, não estou dizendo que foi um erro do Jonas não atacar. Só se torna um erro quando ele afirma que estava se sentindo fantástico”.
“Da minha perspectiva, Vingegaard simplesmente não tem muita escolha no momento. Enquanto Pogacar estiver nesse nível, não há como vencê-lo”, finalizou Bjarne Riis.
