Campeão Mundial faz fortes críticas à organização da Vuelta a España “não dá para fingir, alguém permitiu e vez vista grossa”
Michal Kwiatkowski, da INEOS Grenadiers, fez duras críticas às condições da 21ª etapa da Vuelta a España, que terminou de forma caótica em Madri.
Em declarações publicadas em seus canais oficiais na noite deste domingo, o campeão mundial de 2014 alertou que “o ciclismo corre perigo”, se nem mesmo as maiores corridas do calendário forem capazes de oferecer um percurso seguro.
Durante as três semanas da Vuelta, manifestantes já haviam conseguido antecipar chegadas em duas etapas, mas no domingo tomaram as ruas de Madri de forma violenta.

“Não dá para fingir que nada está acontecendo”
Kwiatkowski acompanhou de perto os protestos representando a INEOS Grenadiers e, com o fim da corrida, não poupou críticas em um depoimento direto e contundente:
“Se a UCI e os órgãos responsáveis não conseguiram tomar as decisões certas a tempo, a longo prazo, é muito ruim para o ciclismo que os manifestantes tenham conseguido o que queriam.”
O polonês seguiu: “Não dá para fingir que nada está acontecendo. Agora está claro para todos que uma corrida de ciclismo pode ser usada como uma plataforma eficaz para protestos, e da próxima vez só vai ser pior. Porque alguém permitiu que acontecesse e fez vista grossa.”
“Preferiria ter sabido com antecedência que a corrida seria cancelada”
Embora Kwiatkowski não tenha especificado a quem se dirigia, suas palavras sugerem uma crítica direta à falta de medidas preventivas para conter os protestos.
“É uma pena para os fãs que vieram para um evento fantástico. Pessoalmente, eu preferiria ter sabido com antecedência que a corrida seria cancelada, em vez de ter que acreditar que tudo ficaria bem.”

“Os participantes devem ser protegidos, não devem se tornar vítimas”
Michal Kwiatkowski não foi o único a expressar insatisfação. Richard Plugge, CEO da Visma-Lease a Bike, também criticou a situação: O esporte é essencialmente uma força unificadora.”
Ele reforçou que, apesar de o esporte ter um papel integrador, os atletas devem ser protegidos: “O esporte pode, de fato, construir pontes e promover a compreensão mútua. Mas os participantes devem ser protegidos: eles não devem se tornar vítimas desse debate social.”
“O debate deve ser sempre mantido fora da arena dos atletas. Os atletas devem poder lutar suas batalhas sem impedimentos no estádio ou, no nosso caso, na rua. Caso contrário, a essência unificadora do esporte fica comprometida”, finalizou o CEO da Visma-Lease a Bike.
