Campeonato Mundial de Ciclismo: lenda do ciclismo Eddy Merckx crava seus favoritos “será uma corrida aberta”
Montreal recebe o Campeonato Mundial de Ciclismo pela 2ª vez em sua história. A 1ª edição na cidade canadense aconteceu em 25 de agosto de 1974, quando o Mundial foi realizado pela primeira vez fora da Europa. O campeão daquela ocasião foi Eddy Merckx, que conquistou seu 3º título mundial.
Nesta quinta-feira, a lenda do ciclismo concedeu uma entrevista ao jornal La Gazzetta dello Sport, na qual voltou às lembranças daquela edição histórica e também analisou a prova de estrada do próximo domingo, sem esconder seu favoritos à vitória.
“Eu estava realmente pronto desistir e voltar à Europa”
O maior ciclista da história recordou as dificuldades enfrentadas durante a corrida. “Naquele dia ele estava pedalando muito bem. E eu fui ajudado pelos meus companheiros de seleção: caso contrário, não teria vencido. Consegui acompanhar o Raymond Poulidor (avô de Mathieu van der Poel) e no final o venci.”
O belga também revelou que as condições de hospedagem inicialmente oferecidas aos atletas. “Eles queriam que eu dormisse numa espécie de residência universitária inadequada para atletas, um arranha-céu de 15 andares. Era quente, a comida não era boa”.
“Os dormitórios pareciam quartéis; um francês me contou que a mola da cama dele sobressaía 10 cm. Eu estava voltando do Tour, depois que completei 42 voltas… Eu estava realmente pronto desistir e voltar à Europa.”
A situação acabou sendo resolvida com a transferência para outro local. “Encontramos um motel nos arredores de Montreal. Era melhor e nos permitiu treinar com mais facilidade. Descansamos bem e tudo se encaixou.”
“Tadej Pogacar teria conquistado o 3º Mundial consecutivo“
Ao analisar o Mundial de 2026, Merckx iniciou lamentando a ausência de Tadej Pogačar, que ficou fora da disputa após a queda sofrida na Vuelta a España.
“Quando vi Pogacar cair na Vuelta… foi um choque, fiquei muito triste. Ele já tinha vencido o G. P. de Montreal duas vezes, no ano passado chegou junto com seu companheiro de equipe McNulty… Acho que ele teria conquistado o 3º Campeonato Mundial consecutivo.”
“O primeiro nome é Remco Evenepoel“
Sem Pogačar, Merckx espera uma disputa muito mais aberta e aponta o compatriota Remco Evenepoel, como um dos principais nomes para a vitória.
“Será uma corrida aberta e disputada. E, eu acho, espetacular. O primeiro nome que me vem à mente é Remco Evenepoel, que fez um contrarrelógio fantástico no domingo. Ele chega em ótima forma e estará ainda mais motivado”.
“Depois… Paul Seixas, também excelente em contrarrelógios. Ele tem 20 anos, mas com as qualidades que tem… nunca é cedo demais para vencer. Del Toro é outro jovem forte. Também veremos como se sai Wout Van Aert, que foi muito bem na Vuelta. A Itália também tem uma boa equipe, com Ciccone e Pellizzari. E estou curioso para ver Finn.”
“Espero que Remco seja a principal referência”
A possível divisão de liderança na seleção belga também foi abordada. Evenepoel e Van Aert estarão juntos pela Bélgica, situação que poderia gerar diferentes interpretações táticas durante a corrida.
“Espero que Remco seja a principal referência. Ele melhorou muito e, no Tour, mostrou uma evolução significativa nas subidas. Parece-me que ele se recuperou bastante desses esforços. Claro que estarei torcendo pela Bélgica e temos boas chances de vencer. Talvez 50%.”
Apesar de considerar Evenepoel a principal referência da Bélgica, Merckx não estabelece uma diferença de qualidade entre o campeão olímpico e Wout van Aert.
“Para mim estão no mesmo nível. Não acho que haverá discussões; eles sabem que os interesses da seleção nacional vêm em 1º lugar.”

“Mathieu Van der Poel está muito pronto”
Outro nome destacado por Merckx é Mathieu van der Poel, que tem demonstrado cautela ao avaliar o percurso do Mundial. Porém, para Eddy Merckx os resultados recentes mostram que o neerlandês está se preparando seriamente para a disputa.
“Você viu o que ele fez na semana passada no Tour de Luxemburgo? Ele já tinha dado um golpe na 1ª etapa e, no último dia, uma fuga solo de 175 km, algo que não se via há tempos, nesse nível”.
“É fácil perceber que ele vem se preparando para o Mundial. Talvez esteja usando um pouco de tática prévia, mas, para mim, ele chega não apenas pronto, mas muito pronto”.
“Não vamos esquecer que ele e Remco foram os últimos campeões mundiais antes de Pogačar, e se esses dois aparecerem e lutarem pelo título… eu não ficaria surpreso”, finaliza Eddy Merckx.