Campeonato Mundial: Mathieu van der Poel admite dificuldade com percurso “não é impossível, quanto mais difícil melhor”
Mathieu van der Poel chega ao Campeonato Mundial de Estrada no próximo domingo, como um dos principais favoritos ao título, posição compartilhada até mesmo por Eddy Merckx.
O neerlandês, porém, prefere manter os pés no chão e moderar as expectativas, conforme revelou ao canal Sporza nesta quinta-feira. “Estou em boa forma, mas isso não garante o sucesso”, afirma Van der Poel.
“Será minha última corrida na temporada”
Mathieu van der Poel, iniciou revelando entusiasmo para a disputa, que marcará o encerramento de sua temporada. “Estou ansioso, especialmente porque será a última corrida da minha temporada”, disse Mathieu van der Poel, sorrindo durante sua coletiva de imprensa antes do Campeonato Mundial.
“Depois disso, é hora de férias, mas ainda não fui jogar golfe por aqui”, complementou o ciclista, um grande fã do esporte.
O corredor da Alpecin Premier Tech também comentou suas sensações depois da vitória na 5ª etapa do Tour de Luxemburgo, quando completou uma impressionante fuga solo de 175 km. “Fiquei contente com a sensação nas minhas pernas, mas domingo será diferente. Minha forma está boa, mas isso não garante o sucesso”.
Questionado a performance tão dura poderia ter um efeito negativo dias depois, Van der Poel reconheceu essa possibilidade. “Sim, mas no dia seguinte não foi tão ruim. Depois de outras corridas, já acordei me sentindo pior na segunda-feira.”
“É um percurso complicado, no limite, mas não impossível”
Nesta quarta-feira, Van der Poel rodou pela primeira vez no circuito do Mundial. “Estava de acordo com as expectativas”, comentou ele sobre seu reconhecimento.
“É um percurso complicado. No limite, mas não impossível. É um pouco parecido com Glasgow (onde ele venceu em 2023), mas a subida aqui é mais difícil do que na Escócia. Lá, as subidas eram ainda mais curtas e íngremes”.
Quando questionado sobre sua capacidade de vencer e sobre o cenário que gostaria de encontrar, ele foi direto: “Ah, você pode escrever mil cenários, mas só haverá um, e temos que agir de acordo com ele.”
“É uma vantagem que seja uma corrida difícil, porque isso diminui um pouco o ânimo de todos no final. E aí, como ciclista de clássicas, você se aproxima dos escaladores”, complementa Van der Poel.
“Quanto mais difícil, melhor”
A possibilidade de Van der Poel adotar uma postura agressiva dependerá das circunstâncias encontradas durante a prova. “Eu decidirei isso durante a própria corrida. Dependerá da situação e das minhas pernas.”
“A beleza de um Campeonato Mundial é que ele é sempre imprevisível, mesmo sem fones de ouvido. Isso me agrada bastante. Quanto mais difícil, melhor. Pelo menos, se eu estiver em boa forma. Em uma prova dura eu ainda consigo manter minha potência.”
Sem Tadej Pogačar, vários ciclistas chegam a Montreal com a possibilidade de disputar o título. “Acho que muitos países vão tentar tornar a corrida o mais difícil possível. Sem Pogacar, muitos ciclistas veem uma chance de se tornarem campeões mundiais, e isso vai mudar um pouco a corrida”.
“Fiz o meu melhor para competir com Evenepoel”
Entre os adversários, Van der Poel já identifica um nome que considera especialmente perigoso: o belga Remco Evenepoel, atual campeão mundial de contrarrelógio.
“Com certeza é Remco Evenepoel. Seu histórico em Campeonatos Mundiais fala por si só. Ele consegue se preparar muito bem e é forte nessa distância.”
O holandês também destacou a capacidade de Evenepoel de vencer através de uma fuga solitária, fazendo uma comparação bem-humorada entre sua própria performance em Luxemburgo e o domínio do belga no contrarrelógio.
“Ele também é o melhor ciclista para vencer através de uma fuga. Seu 4º título mundial de contrarrelógio foi impressionante. Com meus 175 km solo, fiz o meu melhor para competir de igual para igual com seus 40 km de contrarrelógio”, acrescentou o holandês com uma piscadela, encerrando a entrevista.