Ciclista da UAE Emirates admite ano frustrante e encara momento decisivo na carreira “não foi a temporada em que tive mais sorte”
A primeira temporada de Rune Herregodts na UAE Emirates esteve longe da ideal. Aos 27 anos, o belga trocou a Intermarché-Wanty, pela estrutura mais poderosa do WorldTour. A mudança chamou atenção, mas os resultados não acompanharam as expectativas iniciais.
“Relembro a temporada com sentimentos contraditórios”, afirmou Herregodts em entrevista ao Sporza. “Não foi a temporada em que tive mais sorte”, admitiu o belga, que passará por um processo de reavaliação em 2026, conforme revelou o diretor Matxín Fernández.

Problemas no início da temporada finalizaram com clavícula quebrada
Os problemas começaram logo cedo, no UAE Tour. “Bati o joelho na mesa. Consegui competir no primeiro fim de semana, mas depois disso, meu joelho começou a me incomodar cada vez mais, e fiquei quase 3 semanas sem competir.”
Mais adiante, o belga sofreu novos reveses. “No final de junho, fiquei doente, o que significou que perdi tanto o Campeonato Belga de Contrarrelógio como o Campeonato Belga de Estrada.”
Como se não bastasse, em julho veio mais um golpe. “No início de julho, também sofri uma queda durante um período de treinos em Livigno porque a minha corrente se soltou. Quebrei a clavícula e não consegui recuperar o meu nível.”

“A equipe ficou satisfeita com meu desempenho”
Apesar da sequência de azares, Herregodts conseguiu enxergar aspectos positivos em sua temporada de estreia. “Nas corridas em que participei, a equipe ficou satisfeita com meu desempenho.”
O belga ressalta também o ambiente interno da equipe. “Mesmo quando não ganhávamos, nos divertíamos. Isso confirmou para mim que entrar para essa equipe foi uma boa escolha.”
Mesmo sem conquistar vitórias na temporada, o belga percebeu avanços importantes. “Não consegui dar o passo que desejava. Mas nos treinos, notei progresso em algumas áreas, como a resistência.”

“Poderei lutar pelo GC no Tour da Bélgica”
Para a nova temporada, Herregodts espera deixar o azar para trás. Seu calendário inicial já indica um ano exigente.
“Começarei em Mallorca, seguido pelo Tour de Omã e pelo UAE Tour. Depois disso, as clássicas de paralelepípedos estão no cardápio. Normalmente, eu não participarei de todas. Depende da minha forma física e dos ciclistas que deixarem a equipe.”

Logo após, surgirá seu grande objetivo para o 1º semestre. “Depois disso, haverá algumas corridas menores antes do Baloise Belgium Tour.”
É justamente nessas provas que surge uma oportunidade clara para Herregodts. “Se eu tiver um bom desempenho não precisarei me sacrificar desde o início. Com um bom resultado no Contrarrelógio, poderei então almejar a Classificação Geral do Baloise Belgium Tour.”
Ele salientou a liberdade que recebe dentro da equipe. “Como equipe, tentamos competir de forma com vários ciclistas. As oportunidades surgirão naturalmente. E aí caberá a mim aproveitá-las.”

Futuro em aberto na equipe: “Após essas corridas analisaremos seu lugar dentro da nossa estrutura”
Com contrato válido até o fim de 2026, o futuro de Herregodts ainda não foi discutido. “Ainda não conversamos sobre isso”, admite o ciclista. “Talvez você devesse perguntar ao Matxín (diretor da UAE).”
O diretor esportivo Joxean Matxín Fernández reconhece que o contexto prejudicou a avaliação do belga. “Devido às circunstâncias, não conseguimos ver o verdadeiro Rune Herregodts na última temporada.”
Para ele, o próximo ano será decisivo. “2026 será um ano importante para Rune. Vamos trabalhar para ver como ele começa a temporada e como se sai nas clássicas. Ele vai disputar corridas importantes para a equipe e também terá suas próprias oportunidades.”
O diretor basco conclui: “Após essas corridas, analisaremos que tipo de piloto Rune é e qual o seu lugar dentro da nossa estrutura.”