Cientista revela dados impressionantes de Tadej Pogacar: estudo registra potências em icônicas vitórias no Tour de France
Tadej Pogacar frequentemente recebe elogios como extra terrestre, devido a suas performances impressionantes, e não é para menos. A facilidade com que o esloveno consegue abrir vantagem sobre os principais escaladores do mundo gera discussões de quão superior ele é.
Um estudo recente, conduzido por Ole Kristian Berg, da Universidade de Molde, na Noruega, buscou quantificar de forma científica essa superioridade.
Publicado no Journal of Science and Cycling, o trabalho avaliou o VO2 máximo e estimou a potência gerada por Pogacar em 6 subidas icônicas do Tour de France de 2024 e 2025: Plateau de Beille, Isola 2000, Col de la Couillole, Hautacam, Peyragudes e Mont Ventoux.

442 watts por aproximadamente 40 minutos
Segundo Berg, Pogačar produziu cerca de 421 watts em média na subida do Mont Ventoux no Tour de 2025. Para chegar a esses números, o pesquisador utilizou dados disponíveis no Strava, além de informações fornecidas pela UAE Emirates.
Aplicando modelos específicos para estimativa de produção de energia e cruzando-os com estudos prévios, Berg chegou a conclusões impressionantes: Pogacar teria sustentado cerca de 442 watts por aproximadamente 40 minutos, com margem de erro de ± 15 watts.

O estudo sugere que, para alcançar esse nível, o esloveno precisaria registrar um VO2 máximo de 80 mL/kg/min durante toda a subida, com picos chegando a 90 mL/kg/min. Quando se traduz em potência relativa, os valores variam entre 6,4 e 7,0 W/kg nas diferentes ascensões analisadas.
Metodologia do estudo e validação dos resultados
Berg baseou suas estimativas em diversas premissas técnicas: ausência de vento ou vácuo, área frontal e peso de competição de Tadej Pogačar, eficiência na conversão de energia em potência mecânica, densidade do ar e resistência ao rolamento da bicicleta.
Como Tadej Pogačar não disponibiliza seus dados de potência ao público, o autor utilizou os números publicados por Derek Gee, que recentemente deixou a Israel-Premier Tech, como ponto de comparação para validar o modelo matemático aplicado ao desempenho do esloveno.
O pesquisador também acredita que o auge da performance de Tadej Pogacar pode ter ocorrido no duelo direto com Jonas Vingegaard durante a subida do Plateau de Beille, no Tour de 2024.

Ele lembra que os três primeiros colocados naquela etapa superaram o recorde estabelecido por Marco Pantani em 1998, o que indica que os picos de potência naquele dia possivelmente foram ainda mais altos.
“Ele treina em jejum, e só depois conseguimos competir em igualdade”
Relatos sobre VO2 máximo excepcionalmente altos não são inéditos entre ciclistas de elite. Testes laboratoriais realizados com grandes campeões já apontaram valores acima de 80 mL/kg/min e, em alguns casos, superiores a 90 mL/kg/min.
A superioridade do esloveno também é percebida dentro do pelotão. No início de 2025, seu gregário Tim Wellens comentou: “Às vezes ele treina em jejum, e só depois que eu como é que conseguimos competir em igualdade de condições.”

O antigo treinador de Wellens, Paul Van Den Bosch, também elogiou o comportamento competitivo de Pogacar: “Por exemplo, se ele ainda estiver num grupo de 30 ciclistas na Strade Bianche, muitas vezes ele simplesmente pedala no seu ritmo de treino”.
“Os outros já estão a uma intensidade muito maior. Então ele liberta os seus demónios e dispara na frente. Se ele ainda estiver pedalando na zona 2 durante uma corrida, está principalmente queimando gordura.”
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