“Eddy Merckx nunca mais foi o mesmo” diretor questiona capacidade de Tadej Pogacar vencer o Tour de France 2027
Tadej Pogacar está empenhado em conquistar, em 2027, sua 6ª vitória na classificação geral do Tour de France, o que representaria o recorde isolado, superando as lendas EddyMerckx, Jacques Anquetil, Miguel Indurain e Bernard Hinault.
No entanto, a grave queda sofrida durante a 8ª etapa da Vuelta a España de 2026, levanta questionamentos por parte do diretor do Tour de France, Christian Prudhomme, que demonstrou preocupação sobre a possibilidade de voltar ao nível de desempenho que apresentava antes do acidente, em entrevista ao jornal francês L’Équipe.
Pogacar sofreu uma concussão, uma fratura na clavícula e outra em uma vértebra, ferimentos que o obrigaram a encerrar antecipadamente sua temporada.
“Seja qual for o percurso, Pogacar consegue dominá-lo”
Prudhomme admitiu que é difícil imaginar um percurso capaz de representar um obstáculo significativo para Pogacar, considerando a superioridade demonstrada pelo esloveno nas últimas edições da corrida francesa.
“Podemos imaginar que haverá suspense e uma grande batalha até o fim, mesmo sabendo, que Pogacar tem sido tão dominante nos últimos anos, que ele tem tanto talento que, seja qual for o percurso, ele consegue, de alguma forma, dominá-lo.”
O dirigente também recordou que, mesmo quando o traçado parece oferecer oportunidades para aumentar a disputa, o esloveno encontra maneiras de impor seu ritmo. “Vimos isso novamente em 2026, quando pensávamos que o percurso poderia reservar mais suspense mais adiante…“
“Quando ele vê uma subida difícil, ele a encara de frente. Além disso, ele tem um imenso respeito por lugares que se tornaram lendários no ciclismo, como o Tourmalet em 2026″, complementa Prudhomme lembrando o poderoso ataque de Pogacar na 6ª etapa.
“Há algumas perguntas que surgem após a sua queda”
Apesar dos elogios ao talento do esloveno, Prudhomme destacou que a maior incógnita para 2027 está relacionada à maneira como o ciclista conseguirá superar o grave acidente.
“A verdadeira questão para mim — e obviamente desejo-lhe tudo de bom — é como ele se recuperou da sua gravíssima queda na Vuelta a España?”, questiona Prudhomme.
“Porque o seu talento reside na sua superioridade física, mas também na sua habilidade como ciclista. A sua descida do Tourmalet no verão passado foi de tirar o fôlego”.
“À medida que envelhecemos (ele tem 28 anos), depois de uma queda tão grave, continuamos a ser o mesmo ciclista? Continuamos a correr os mesmos riscos? Há definitivamente algumas perguntas que surgem após a sua queda”, volta a questionar Nicholas Prudhomme.
“Eddy Merckx, nunca mais foi o mesmo”
Para ilustrar como um acidente grave pode deixar marcas duradouras na carreira de um atleta, Prudhomme recordou o caso de Eddy Merckx, os maior ciclista da história. O belga afirmou que nunca mais voltou a ser o mesmo depois de uma queda sofrida em um velódromo de Blois, em 1969.
“Para saber se isso o marcou e quais serão as consequências é preciso relembrar Eddy Merckx, que sempre disse que nunca mais foi o mesmo depois do acidente em Blois marcado moral e mentalmente”.
“Ele também diz que nunca mais foi o mesmo nas montanhas depois disso. Mas isso não o impediu de vencer 4 Tours de France depois”, encerra Prudhomme com um sorriso.