“Eu não imaginava que Jonas Vingegaard venceria o Tour de France” campeão do Giro d’Italia admite surpresa com ex-colega de Jumbo-Visma
Aos 31 anos, Tom Dumoulin encerrou sua carreira no ciclismo profissional em 2022, deixando para trás um legado marcante que começou em 2011.
Em entrevista ao jornal espanhol AS, Dumoulin o campeão do Giro d’Italia de 2017, apresentou seu livro “Por Sensações”, em que narra sua jornada no ciclismo profissional.
O holandês analisou o ciclismo atual, com destaque para Tadej Pogacar, Jonas Vingegaard e Juan Ayuso, confessando que jamais imaginou que o dinamarquês, seu ex-colega de Jumbo-Visma, conquistaria o Tour de France duas vezes.

Do ciclismo às maratonas
Após pendurar a bicicleta, Dumoulin tem se dedicado ao atletismo. Sua estreia na maratona de Amsterdã, no mês passado, foi impressionante, ele completou a prova em 2h29min21s.
“Eu gosto muito. Gosto de esportes em geral, porque também pratico outros, como padel, mas adoro correr. Alcancei meu objetivo (correr uma maratona em menos de 2h 30min) por diversão. Meu sonho, nesse sentido, seria correr a Maratona de Nova York”.
“Sei que posso melhorar meu tempo, talvez uns 10 minutos, mas não vou tirar 30 minutos do meu recorde pessoal, por exemplo. Isso é para atletas profissionais, e eu não quero ser um novamente“, confessa Dumoulin.

“Eu não imaginava que Jonas Vingegaard venceria o Tour de France”
Dumoulin conviveu com Jonas Vingegaard na mesma equipe durante alguns anos, ainda que juntos tenham competido apenas na Vuelta a España de 2020. O holandês foi perguntado se previa que o dinamarquês conquistasse a vitória no Tour de France.
“Eu poderia dizer que sim, mas, para ser honesto, não. Ele sempre foi um ótimo ciclista, mas o passo que deu foi incrível”.
“Admiro sua força e dedicação. Ele mudou sua mentalidade para se tornar um líder de equipe e um dos melhores ciclistas do mundo.”

“Presenciar o que talvez seja o melhor ciclista de todos os tempos”
Ao falar sobre Tadej Pogacar, Dumoulin não poupou elogios, mas também reconheceu o lado previsível que acompanha suas exibições dominantes. “O que ele faz é incrível, e às vezes também um pouco monótono”.
“É espetacular presenciar o que talvez seja o melhor ciclista de todos os tempos, mas, por exemplo, eu estava comentando o Campeonato Europeu na TV holandesa, e quando ele atacou a 75 km da chegada, nós dissemos: ‘OK, acabou'”.
“A corrida terminou e não é mais emocionante de assistir, mas o que ele faz é admirável. Eu gostaria de ver mais emoção até o final”, complementou Dumoulin.

“Tenho grandes expectativas para Juan Ayuso“
O holandês também comentou sobre Juan Ayuso, uma das grandes esperanças do ciclismo espanhol. Dumoulin acredita que o jovem ciclista pode evoluir e sua mudança da UAE Emirates para a Lidl-Trek pode ser um divisor de águas.
“Tenho grandes expectativas para Juan Ayuso. Ele é um grande talento que ainda precisa aprender algumas coisas para alcançar o nível de Pogacar e Vingegaard, tanto fisicamente quanto como líder de equipe”.

“Sua transferência da UAE Team Emirates para a Lidl Trek é muito interessante. Estou ansioso para ver o que acontece e se ele conseguirá dar mais um grande passo à frente.” Questionado sobre a saída de Ayuso da UAE Emirates, Dumoulin afirmou apoiar a decisão:
“Sim. Ele tem grandes ambições; não quer ser um mero gregário, como já vimos. Ele quer ser um grande líder, e acho que foi a melhor decisão tanto para ele quanto para a equipe. Apoio totalmente essa mudança”, finalizou Tom Dumoulin.