“Eu teria vencido 5 Grand Tours sem Tadej Pogacar”, Jonas Vingegaard fala sobre a rivalidade com o campeão mundial
Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), atual líder da La Vuelta 2025, concedeu uma entrevista ao jornal espanhol MARCA, nesta segunda-feira, antes da decisiva última semana da competição.
O ciclista falou sobre suas sensações, analisou o percurso final, comentou sua rivalidade com Tadej Pogacar e revelou o desejo de conquistar os três Grand Tours ao longo da carreira.

“Serão cinco dias exigentes”
Questionado sobre como encara a fase final da Vuelta, Vingegaard demonstrou confiança e satisfação com seu desempenho até o momento.
“Estou me sentindo muito bem até agora. Estou muito feliz com a minha situação e com a equipe. Já vencemos duas corridas por etapas e conquistamos a camisa vermelha com quase 50 segundos de vantagem”.
“Estou feliz, a equipe está feliz. Claro, estou feliz que hoje seja um dia de descanso, mas a última semana será muito difícil. Serão cinco dias exigentes e precisamos estar preparados.”

“A Vuelta pode ser decidida no contrarrelógio”
O dinamarquês reconheceu que o equilíbrio com João Almeida pode tornar o contrarrelógio um ponto decisivo da competição.
“Pode ser decidido no contrarrelógio, porque até agora parecemos estar muito equilibrados. Pode ser a etapa decisiva.”
Mesmo sendo apontado como favorito, Vingegaard afirma que lida melhor com a pressão após o Tour de France. “Para ser sincero, como eu disse antes desta corrida, eu sabia que era o grande favorito. Mas eu vinha do Tour, onde a pressão era enorme, e aqui sinto ainda menos pressão em comparação.”

“Tenho perdido alguns segundos, espero que seja o suficiente”
Após a vitória em Valdezcaray (9ª etapa), Jonas Vingegaard não teve mais triunfos em etapas, ele foi perguntado se isso não estaria relacionado a um possível cansaço.
“Não, para ser sincero, não me senti cansado, mas não tive as mesmas pernas que tive em Valdezcaray. Mesmo assim, tenho sido forte o suficiente para continuar na luta e tenho perdido alguns segundos aqui e ali. Espero que seja o suficiente para vencer a Vuelta.”

“Eu provavelmente teria vencido 5 Grand Tours sem Pogacar”
A constante comparação com Pogacar, longe de incomodá-lo, serve como combustível para seguir evoluindo.
“Não, acho que me motiva porque ele é o melhor ciclista do mundo atualmente. E se você quer vencer corridas, precisa vencer o Pogacar. Isso me dá ainda mais motivação para melhorar.”
Provocado sobre o impacto do rival em sua carreira, Vingegaard não hesitou em admitir que poderia ter acumulado mais conquistas.
“Eu provavelmente teria vencido por cinco a dois em Grand Tours. Claro, isso seria legal, mas, ao mesmo tempo, é legal competir contra o Pogacar”.
“Ele é um cara legal, e é bom ter uma rivalidade assim. Acho que poderia ter vencido este ano e o ano passado de qualquer maneira. Talvez também no meu primeiro Grand Tour em 2021, mas nunca se sabe. É difícil dizer.”

“Gostaria de ir ao Giro d’Italia”
O ciclista revelou que o Campeonato Europeu faz parte da sua agenda e deixou clara a ambição de conquistar os três Grand Tours. “Sim, esse é o plano. Falei com o treinador e está na minha agenda.”
“Atualmente, tenho dois títulos do Tour de France e, se vencer a Vuelta, terei dois dos três Grand Tours. Seria muito importante para mim vencer os três, então sim, gostaria de ir ao Giro.”
“Gostaria de vencer mais, aqui e na Itália”
Sobre o número de Grand Tours que ainda pode conquistar, Vingegaard mostrou cautela, mas reforçou a ambição de ampliar sua coleção.
“Não sei, boa pergunta. Se eu vencer aqui e for para o Giro, será muito importante para mim. Estou feliz com o que já conquistei, mas é claro que gostaria de vencer mais, aqui e na Itália.”

Etapas decisivas na Vuelta
Por fim, o dinamarquês destacou as dificuldades específicas da última semana, apontando os trechos que podem definir o campeão.
“Amanhã (hoje, 16ª etapa) teremos duas subidas difíceis no final. No dia seguinte, teremos uma subida grande, mas apenas uma. Depois vem o contrarrelógio”.
“Depois, outra etapa com possível vento cruzado, onde teremos que ter cuidado. E, finalmente, La Bola del Mundo, que será um dia muito difícil do início ao fim”, finalizou Jonas Vingegaard.