Ex-colegas de Jonas Vingegaard falam sobre a queda do dinamarquês “os amadores não são tão ágeis quanto nós”
Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) sofreu uma queda durante um treino na última segunda-feira, na região de Málaga, na Espanha. O bicampeão do Tour de France se acidentou ao tentar se desvencilhar de um ciclista amador, que o acompanhava em alta velocidade em uma descida.
O episódio rapidamente ganhou repercussão, dividindo opiniões entre aqueles que defenderam o amador e os que reforçaram o direito do dinamarquês de treinar sem ser incomodado.

Dois experientes ciclistas foram questionados sobre o caso: o Campeão Olímpico de Estrada (2016), Greg Van Avermaet e o ex-colega de Vingegaard, Tiesj Benoot.
“Os amadores não são tão ágeis quanto nós, e não é permitido“
“Está ficando mais lotado nos últimos anos”, afirmou Tiesj Benoot em entrevista ao Sporza, ao comentar a crescente presença de ciclistas nos tradicionais locais de treino da Espanha.
“Na semana passada, em Coll de Rates (icônica montanha na Espanha, local de treino dos profissionais), dava para ver muitos ciclistas fazendo turismo, querendo ver os profissionais ou pedalar entre eles”.
“E isso é um problema porque eles querem pedalar ao nosso lado, tirar fotos ou se misturar com o grupo. Isso torna tudo perigoso porque eles não são tão ágeis quanto nós, e não é permitido”, explicou o ciclista da Decathlon CMA CGM.
Remco Evenepoel reage ao conhecido amador Artem Shcherbyna no Coll de Rates em 2023

“Não acho que os profissionais devam ter privilégios”
Apesar das críticas, Benoot deixou claro que não busca privilégios para os profissionais. “Não acho que os profissionais devam ter mais privilégios do que os outros nas vias públicas, principalmente porque se todos seguirem as regras não haverá problemas”, comentou.
Ainda assim, ele apontou um comportamento recorrente que aumenta os riscos. “Isso se torna um problema quando eles pedalam ao lado, tiram fotos ou se misturam com os outros ciclistas. Pode ser feito com respeito, mas há uma linha tênue entre respeito mútuo e segurança”, alertou.
Jonas Vingegaard já havia sido acompanhado no sábado, véspera do acidente
“Alguns ciclistas simplesmente fogem se houver muita gente”
Outro a se pronunciar foi o Campeão Olímpico de Estrada de 2016, Greg Van Avermaet. “Muita gente foge do inverno e vai para a Espanha com o objetivo de pedalar com os profissionais. Mas alguns ciclistas simplesmente fogem se houver muita gente e nem param para um café”, comentou.
Van Avermaet ressaltou que, em sua experiência pessoal, a situação nem sempre foi um incômodo. “Pessoalmente, isso nunca me incomodou, e até já brinquei com alguns amadores. Mas se eu estivesse em um grupo, não faria isso”.

“Nós não somos donos da estrada, mas tem que haver respeito mútuo”
Para o também vencedor da Paris-Roubaix de 2017, a chave está no equilíbrio. “Nós não somos donos da estrada, mas tem que haver respeito mútuo”, analisou.
Ele também destacou que atletas mais conhecidos acabam atraindo ainda mais atenção. “Quanto maior a estrela, mais pessoas a seguem”, disse, em referência a Vingegaard.

Acostumado a treinar ao lado de nomes como Remco Evenepoel e Mathieu van der Poel, Van Avermaet reconhece a complexidade da situação. “Se acontece uma vez, não é grande coisa, mas eles são reconhecidos em todo lugar, e talvez seja necessário algum regulamento, ou um carro de apoio”.
Encerrando sua análise, o belga trouxe uma perspectiva mais nostálgica: “Tento me lembrar dos meus anos como amador, e a melhor coisa era pedalar perto das estrelas”, concluiu Greg Van Avermaet.
