Ex-gregário de Tadej Pogacar lamenta a perda de posição na UAE Emirates “ninguém faz nada errado, todos estão incrivelmente bem”
Após anos atuando como um dos principais gregários de Tadej Pogacar, especialmente nos Grand Tours, o dinamarquês Mikkel Bjerg viu sua importância dentro da UAE Emirates diminuir gradativamente.
O próprio ciclista, que competiu desde 2020, 128 dias ao lado de Tadej Pogacar, reconhece essa transformação, que acabou alterando a hierarquia interna da equipe.
“Sim, acho que sim. Principalmente porque a equipe está em um nível um pouco diferente agora”, afirmou Bjerg em entrevista ao canal dinamarquês Feltet, ao comentar a perda gradual de protagonismo nas últimas temporadas.

“Eu não fui o melhor gregário“
Nos primeiros anos do domínio de Pogacar no Tour de France, em 2020 e 2021, Bjerg era presença constante ao seu lado. Os dois dividiam participações em competições e períodos de preparação.
Com o fortalecimento do elenco da UAE Emirates, o dinamarquês passou a ficar fora de algumas das principais competições, incluindo o Tour de France. Bjerg afirma ter identificado quando sua situação começou a mudar.
“Talvez eu sinta que, no meu primeiro Tour de France (2021), achei um pouco difícil corresponder ao que se esperava de mim”, explicou. “Eu não fui o melhor gregário de todo o pelotão no meu primeiro Tour de France. Teria sido perfeito se eu tivesse sido desde o início.”

“Ninguém faz nada errado. Todos estão incrivelmente bem“
Apesar da redução de espaço, o dinamarquês garante não nutrir frustração com os companheiros que assumiram suas funções ao redor de Tadej Pogacar.
“É claro que os novos ciclistas merecem estar na equipe do Tour de France”, disse. “Não é como se eu estivesse pensando: ‘Ah, Nils Politt não deveria estar lá’. Porque ele é incrivelmente bom.”
“Não dá para apontar um único fator para o sucesso, mas também percebi que estava participando do Tour de France todos os anos, é apenas o desenvolvimento da equipe”.
“É difícil apontar algo específico. Ninguém faz nada errado. Todos estão pedalando incrivelmente bem”, afirmou o dinamarquês, admitindo sua incapacidade de manter o mesmo nível.

“Eu o conheço muito bem, eu iria à guerra por ele”
Mesmo com menos dias divididos em competição, Bjerg assegura que o vínculo com Pogacar segue forte, moldado pelas experiências compartilhadas em Grand Tours e Training Camps.
“Quando você está junto em uma equipe do Tour de France por quase 2 meses, tanto em Training Camps, quanto na competição, é claro que você constrói um relacionamento próximo”, disse Bjerg. “Já disputamos alguns Grand Tours juntos. Isso é algo que nunca desaparece.”

Ele também destaca que o crescimento do círculo de apoio de Pogacar contribui positivamente para o coletivo. “Ele já disputou Grandes Voltas com tantos ciclistas diferentes”, observou Bjerg.
“Obviamente, ele não pode ser o melhor amigo de todos, mas acho que muitos pensam: ‘Eu o conheço muito bem. Eu iria à guerra por ele’. Nesse sentido, é muito bom para a equipe”, finalizou Mikkel Bjerg.