Ex-líder do Tour de France questiona táticas de Tadej Pogacar “qual a vantagem de fugas tão longas? É temperamento”
Tadej Pogacar (UAE Emirates) segue chamando atenção no pelotão internacional, não apenas pelos resultados, mas também pelos longos ataques, ainda que nem todos compreendam totalmente sua lógica.
Um dos que levantam questionamentos é o experiente belga Yves Lampaert (Soudal Quick-Step), vencedor da etapa de abertura do Tour de France 2022, na qual vestiu a cobiçada Maillot Jaune. Em entrevista ao HLN, ele analisou o estilo agressivo de Pogacar e comparou com outros nomes do pelotão.

“Me pergunto qual é a vantagem de fugas tão longas“
“A Omloop, a Strade Bianche e a Milan-San Remo foram bastante demonstrativas nesse sentido. As pedaladas de Van der Poel talvez sejam um pouco mais calculadas, mais ponderadas”.
“Mas Pogacar, meu Deus… quanto tempo ele ficou na frente na Toscana (Strade Bianche)? 78 km? Uma loucura. E não é um caso isolado. Muitas vezes me pergunto qual é a vantagem tática de fugas tão incrivelmente longas”, disse Lampaert ao Het Laatste Nieuws.

“É uma questão de temperamento“
Apesar do tom crítico, o belga deixa claro que sua análise parte mais da curiosidade do que de reprovação. “É uma questão de temperamento”, explica.
“Se você é tão forte e ainda tem tanta energia, também poderia esperar mais para atacar e se beneficiar de companheiros de equipe ou rivais. Isso exige muito do seu corpo”.
“Existe alguma estratégia de treinamento específica por trás disso? Eles sabem que o penúltimo esforço dele é melhor que o último? É para evitar possíveis perigos? Eu não sei.”

“Com a potência de 4 ou 5 anos atrás, eu me distanciava do pelotão, agora, no máximo, consigo acompanhá-lo“
Lampaert analisou também a evolução do ciclismo e como o aumento do nível competitivo impactou diretamente sua própria carreira.“É simples. Com a potência que eu gerava há 4 ou 5 anos, eu conseguia me distanciar do pelotão. Agora, no máximo, consigo acompanhá-lo”.
“Não é que eu tenha piorado. O nível geral aumentou. A orientação é mais profissional. Quando era jovem, eu treinava sem monitor cardíaco. Só na Quick-Step descobri o medidor de potência. Agora eles já o usam nas categorias de base.”

“Sonhar é permitido, não é?”
Aos 35 anos, o belga reconhece que seu papel dentro do pelotão mudou. Ainda assim, ele não abre mão de ambições pessoais, especialmente em uma das corridas mais emblemáticas do calendário.
“A Paris-Roubaix continua sendo uma corrida muito especial para mim. Sonhar é permitido, não é? Aliás, é uma obrigação. Se existe um Monumento que combina comigo e onde tudo pode dar certo, é esse. Se eu vencer um na minha carreira, será uma conquista completa.”

Consciente da fase final da carreira, Lampaert também revelou seus planos para o futuro, estabelecendo um horizonte claro para sua aposentadoria.
“No ciclismo, a idade de aposentadoria é um pouco menor que 65 anos, certo? Espero poder continuar até os 38. Seria uma ótima idade para parar. Me deixaria orgulhoso e feliz. Mais 3 anos, 2029 é o ano da despedida que tenho em mente“, finalizou o belga.