Final inédito do Tour de France, com a subida à Montmartre pode virar tradição; Wout van Aert concorda, mas faz alerta
Os organizadores do Tour de France estão avaliando transformar o circuito de Montmartre em um elemento recorrente da última etapa da competição, após o sucesso da edição de 2025.
A informação foi divulgada pela mídia francesa, sugerindo que a famosa subida da Butte Montmartre pode deixar de ser uma exceção comemorativa para se tornar uma nova tradição da corrida.

Um final diferente na Champs-Élysées
Na 21ª etapa do Tour de France 2025, disputada no domingo, os ciclistas enfrentaram três passagens pela íngreme e empedrada subida de Montmartre antes da chegada na tradicional Champs-Élysées. Essa mudança alterou completamente o perfil da etapa final, historicamente marcada por um sprint plano.
Mesmo com a neutralização dos tempos da classificação geral antes da subida, a etapa ofereceu um espetáculo emocionante, coroado com a vitória de Wout van Aert (Visma-Lease a Bike).
A mudança foi inicialmente promovida como algo único, em comemoração aos 50 anos da chegada do Tour à Champs-Élysées. No entanto, a percepção positiva pode garantir a permanência do trajeto nas próximas edições.

“O sucesso superou nossas expectativas”
Pierre-Yves Thouault, vice-diretor do Tour de France, afirmou ao jornal Le Parisien que a organização já estuda repetir o trajeto. “Obviamente, queremos continuar passando por Montmartre”, declarou.
“O sucesso superou nossas expectativas e, naturalmente, o desejo de fazer desta nova rota um sucesso a longo prazo está presente.”
“Faremos uma breve reunião, em torno de uma mesa, com representantes da cidade e da prefeitura. Analisaremos possíveis áreas de melhoria. Mas, no geral, tudo correu muito bem. Todos adoraram. O público e os ciclistas também”, complementou Thouault.

Van Aert elogia decisão, mas faz alerta: “Os tempos precisam ser registrados antes”
O vencedor da etapa final, Wout van Aert, elogiou a neutralização dos tempos da classificação geral antes das subidas.
“Eu gostei porque foi bem seletivo depois disso, e havia um pequeno grupo na frente, era como deveria ser, os caras que queriam, podiam correr os riscos e ir em frente, e aqueles que não queriam, não precisavam lutar por isso”, comentou.
No entanto, ele ponderou que manter os tempos válidos teria trazido riscos: “Mas se os tempos da classificação geral não tivessem sido registrados antes, na minha opinião, teria sido impossível criar uma corrida segura neste circuito”.
“Mesmo assim, ainda foi uma corrida emocionante, com os ciclistas buscando a vitória na etapa. Isso foi o melhor para todos.”

“Acho que a chegada a Nice, fora de Paris, não será única”
O diretor do Tour de France, Christian Prudhomme, sugeriu ao Cyclingweekly durante a corrida que, assim como ocorreu em 2024 com a chegada em Nice, outras cidades também poderiam receber o encerramento do Tour em anos futuros.
“Acho que a chegada a Nice, fora de Paris, não será única. Ficamos encantados com Nice”, disse Prudhomme. “Mas o que é crucial para mim é manter sempre um relacionamento muito forte com a cidade de Paris”, finalizou Prudhomme.
