“Foi uma loucura, uma queda atrás da outra, assustador” campeão da Kuurne-Bruxelas-Kuurne revela história de superação em vitória
Com apenas 20 anos, Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike) conquistou uma de suas mais importantes vitórias que um ciclista profissional pode almejar ao triunfar na clássica de paralelepípedos Kuurne-Bruxelas-Kuurne, neste domingo.
Após o revés no sábado, na Omloop Het Nieuwsblad, onde ele e vários integrantes da equipe caíram e terminaram bastante machucados, Brennan conseguiu dar a volta por cima. Mesmo ainda sentindo os efeitos da queda, o ciclista e seus colegas dominaram a corrida até a vitória final.

“Quando você cai a 60 km/h, não quer ficar remoendo aquilo na cabeça”
“Para ser sincero, acho que eu só queria esquecer aquele dia”, explicou Brennan sobre seu estado de espírito na coletiva de imprensa logo após sua vitória.
“Essa queda não foi nada agradável. Tive muita sorte com o resultado; só tive alguns cortes e hematomas. Mas quando você cai a 60 km/h, não quer ficar remoendo aquilo na cabeça”.
“E aí, quando você ouve: ‘Ok, amanhã temos que fazer exatamente a mesma coisa, o mesmo caos, o mesmo nervosismo’, a questão é: como vamos lidar com isso mentalmente? Como vamos conduzir a corrida?”

“Foi uma loucura, quando você vê uma queda atrás da outra, é assustador”
Mesmo com a vitória, Brennan revelou que precisou lidar com bastante desconforto ao longo da corrida, especialmente nos trechos de paralelepípedos, conhecidos por exigir ainda mais do corpo dos ciclistas.
“Sim, todo o meu lado esquerdo estava bastante inchado, incluindo o braço. E isso não foi nada bom, principalmente nos paralelepípedos”.
Mas muito disso também foi psicológico, por causa do posicionamento. Foi uma loucura, quando você vê uma queda atrás da outra, é assustador”, afirmou Brennan em entrevista ao Wielerflits.

“Vamos realmente prejudicar as equipes com esses velocistas”
Segundo o britânico, a experiência negativa do sábado acabou influenciando a postura ofensiva adotada pela equipe durante a Kuurne-Bruxelas-Kuurne. A Visma utilizou a estratégia de enfraquecer equipes com fortes sprinters e assumir o protagonismo.
“A oportunidade surgiu, e isso foi definitivamente muito positivo. Eu sabia que estava bem, e se conseguisse terminar sem os caras realmente rápidos, teríamos uma boa chance. Principalmente com o Christophe Laporte lá; ele é muito útil em uma situação como essa”.
“Pensamos: vamos realmente prejudicar as equipes com esses velocistas. Isso nos colocou em uma boa posição para segurar a vitória até o final”, revela Brennan.

Comparações com Wout van Aert
O desempenho do jovem britânico tem gerado comparações na Bélgica com o ídolo Wout van Aert. Brennan recebe as comparações com entusiasmo, mas mantém a cautela.
“Sim, é ótimo ser comparado a um homem como ele. Ele é incrivelmente bem-sucedido e tem uma carreira fantástica. Se minha carreira seguisse um caminho semelhante ao de Wout, eu ficaria extremamente feliz.”
“Não estou correndo só para dar uma volta, estou aqui pelos resultados”
Após a conquista, Brennan já projeta os próximos desafios da temporada, com foco nas principais clássicas do calendário europeu.
“Eu adoraria disputar a Milan-Sanremo, seria fantástico. Também quero correr a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres em boa forma. Mas há outros 200 caras no pelotão que querem isso, então vamos ver o que acontece”.
“Acho que toda essa campanha nas Clássicas é sobre dar o nosso melhor em cada corrida. Para ser honesto, não estou participando só para dar uma volta, estou aqui pelos resultados”, finalizou Matthew Brennan.