Fornecedora de produto revolucionário da Visma-Lease a Bike declara falência, Wout van Aert utilizou sistema na Paris-Roubaix
A Gravaa, empresa holandesa responsável pelo desenvolvimento de um sistema inovador de ajuste de pressão dos pneus utilizado pela Visma-Lease a Bike, foi oficialmente declarada falida e segundo registros judiciais na Holanda, liquidadores já foram nomeados para a marca..
O inédito sistema KAPS, possibilitava inflar ou esvaziar os pneus enquanto a bicicleta estava em movimento. “Sem dúvida, isso proporcionava uma vantagem”, afirmou o analista do Het Nieuwsblad, Sep Vanmarcke, ao analisar engenhoso projeto desenvolvido pela GRAVAA.

Wout van Aert e grandes nomes utilizaram o sistema
O sistema foi utilizado pelos ciclistas da Visma-Lease a Bike nas últimas edições da Paris-Roubaix, especialmente por Wout van Aert. A tecnologia também esteve presente no Campeonato Mundial de Gravel da UCI, onde Marianne Vos conquistou o título em 2024 utilizando o equipamento.
Pauline Ferrand-Prévot foi outro grande nome a utilizar o sistema. A francesa venceu a Paris-Roubaix em 2025, competindo com uma bicicleta equipada com o sistema.

Como funcionava a tecnologia KAPS
O sistema funcionava por meio de um pequeno compressor instalado dentro do cubo da roda. A pressão gerada era direcionada aos pneus através de uma válvula Presta controlada eletronicamente, permitindo ajustes em tempo real durante a pedalada.
O controle era feito por botões posicionados no guidão e podia ser conectado a um ciclocomputador, que exibia dados de pressão instantaneamente ao atleta.
A proposta era simples e eficaz: reduzir a pressão dos pneus em trechos de cascalho ou paralelepípedos e aumentá-la novamente ao retornar ao asfalto.

Wout van Aert teve problemas com o sistema em treino para a Paris-Roubaix
Entre os principais entraves para a continuidade da marca estariam a compatibilidade do sistema com pneus Tubeless e o elevado custo da tecnologia. Esses fatores limitariam a adoção em larga escala e dificultaram a sustentabilidade do projeto.
Wout van Aert, utilizando pneus Tubeless, enfrentou problemas com o sistema em abril, durante um treino para a Paris-Roubaix. Durante a passagem pela Floresta de Wallers, o belga sofreu um furo e, em alta velocidade, por pouco não foi ao chão, precisando desviar rapidamente para a lateral asfaltada.

Explicações técnicas e ambições de crescimento
Em entrevista ao Cycling Weekly em 2024, Gertjan van Ginderen, fundador da Gravaa, explicou o funcionamento do sistema: “A pressão é proporcional à distância percorrida. Ao usar um pneu de 42 mm, a pressão do ar pode ser aumentada em cerca de 0,8 bar (11,5 PSI) por km.”
Apesar do avanço tecnológico, a empresa enfrentou dificuldades para escalar o negócio. John Zopfi, diretor comercial da empresa, detalhou os motivos que levaram à falência:
“Para atingir o volume desejado, precisávamos expandir. Para expandir, precisávamos de capital e de compromissos firmes de potenciais clientes de grande volume. Essa combinação nunca se concretizou totalmente e, sem novos investimentos, infelizmente não havia outra opção viável.”

Ainda assim, o fim da Gravaa pode não representar o desaparecimento definitivo da ideia. Existe a possibilidade de que outra empresa adquira a tecnologia e dê continuidade ao desenvolvimento do sistema, mantendo viva uma das inovações mais ousadas do ciclismo moderno.