Greg LeMond revela relação entre cadência e doping mecânico “existe relação” afirma o 3x Campeão do Tour de France
O 3x campeão do Tour de France (1986, 1989 e 1990), Greg LeMond, analisou os protocolos antidoping aplicados no pelotão, em especial o combate ao chamado doping mecânico, revelando ser possível identificar casos positivos através da cadência que os ciclistas apresentam.
O americano abordou o assunto, durante o Rouleur Live, evento que está acontecendo em Londres, desde quinta-feira e se encerra neste sábado, 15 de novembro.

Doping Mecânico
O doping mecânico, consiste no uso de motores ocultos instalados na bicicleta para gerar vantagem indevida. O caso mais emblemático ocorreu em 2016, quando a belga Femke Van den Driessche foi descoberta com um motor escondido durante o Campeonato Mundial de Ciclocross da UCI.
A infração resultou em uma suspensão de 6 anos, sendo o primeiro episódio oficialmente confirmado desse tipo de fraude.

Evolução tecnológica e preocupação com motores escondidos
Falando ao público, durante a entrevista com a ex-ciclista e apresentadora do TNT Sports, Hannah Walker, LeMond mencionou os avanços significativos no equipamento ciclístico nos últimos anos.
“De repente, a qualidade das bicicletas, dos câmbios e das baterias melhorou muito nos últimos 8 anos”, observou o campeão, relacionando esse progresso às discussões sobre possíveis motores ocultos no ciclismo profissional.
Apesar disso, ele acredita que, no momento, o problema está sob controle. “Não acho que isso seja um problema agora”, afirmou, embora tenha reforçado a necessidade de manter os controles ativos: “É preciso persistir. É preciso testar.”

Doping por meio da cadência: “Existe relação”
LeMond explicou que análises de cadência podem servir como ferramenta de detecção. Segundo ele, existe uma relação direta entre a rotação por minuto (RPM) e a potência gerada pelo ciclista.
“Existe uma relação entre a eficiência da rotação por minuto (RPM) e a potência gerada. Então, mesmo em subidas hoje em dia, você verá ciclistas com uma variação de até cinco RPMs na mesma potência gerada”, detalhou.
Quando essa variação ultrapassa valores habituais, os sinais tornam-se preocupantes: “Quando você vê alguém com uma variação acima de 5 a 10 RPMs, não é um bom sinal.”

“Encontrei máquinas de raio-X que permite testar todas as bicicletas em 60 segundos”
O norte-americano revelou ainda que chegou a propor métodos alternativos e mais eficientes de detecção que acabaram não sendo adotados.
“Na verdade, fiz algumas pesquisas e encontrei essas máquinas de raio-X, que não eram baratas, mas permite testar todas as bicicletas do pelotão em 60 segundos”, contou.

Segundo ele, esse tipo de verificação eliminaria a necessidade de transportar bicicletas para inspeções mais complexas: “São coisas que acontecem na fronteira do controle. E isso significa que você nem precisa levar as bicicletas”.
Apesar das ressalvas, LeMond demonstrou acreditar que o combate ao doping mecânico avançou. “Eu realmente acho que, se você observar as rotações por minuto dos ciclistas hoje em dia, verá que eles estão fazendo testes. Isso me dá muita satisfação”, concluiu.