Gregário de Tadej Pogacar analisa métodos de treinamento no WorldTour “a Visma também está mudando para a zona 2”
Durante anos, a Visma-Lease a Bike construiu sua reputação como uma das principais equipes do WorldTour com base no chamado treinamento polarizado, ou seja, muito leve (cerca de 80% do tempo) ou muito intenso (cerca de 20% do tempo).
Enquanto isso, sua principal rival, a UAE Emirates-XRG, adota uma abordagem diferente e treina mais na zona 2. Isso significa pedalar a cerca de 60% ou 70% do seu potencial, durante a maior parte do tempo.
No entanto, segundo Florian Vermeersch (UAE Emirates), com informações privilegiadas de dentro do pelotão, a identidade da Visma-Lease a Bike, já não parece tão rígida quanto antes.

“Tenho ouvido de muitos ciclistas da Visma que está havendo uma mudança”
Florian Vermeersch, Campeão Mundial de Gravel e um dos gregários de Tadej Pogacar na próxima Paris-Roubaix, afirma que a Visma está gradualmente direcionando seus métodos para o treinamento em zona 2.
“Tenho ouvido de muitos ciclistas da Visma que está havendo uma mudança”, revelou Vermeersch, em declarações ao canal belga Het Laatste Nieuws.

“O que você ainda consegue fazer depois de 4 horas é o mais importante”
Vermeersch explica que, durante o inverno, concentrou grande parte do seu trabalho em desenvolver resistência, buscando manter níveis elevados de potência mesmo após longos períodos de treino.
“Trabalhei muito neste inverno na minha resistência, para conseguir aumentar a minha potência mesmo após um período de fadiga intensa. O que você ainda consegue fazer depois de 4 horas de corrida intensa é o mais importante nas corridas atualmente.”

“Não ousaria dizer que a abordagem da Visma está errada”
Apesar das observações, Vermeersch evita apresentar a discussão como uma troca definitiva de modelos de treinamento. Segundo ele, cada ciclista responde de forma única aos estímulos e a estratégia da Visma, com ênfase no VO2 máximo, já produziu resultados significativos.
“Sou um ciclista que consegue lidar com uma carga alta e muita fadiga, então, para mim, treinar na zona 2 também funciona bem. Mas eu não ousaria dizer que a abordagem da Visma com base no VO2 máximo está errada.”
O belga minimiza a ideia de que os métodos de treinamento, isoladamente, expliquem as diferenças de rendimento entre as WorldTeams. “Nenhuma equipe treina na zona 1 durante um período de treinamento de inverno. Você vê todas elas treinando na zona 2 ou até mesmo na zona 3.”

“Não digo que a zona 2 seja uma solução milagrosa“
Para Vermeersch, o verdadeiro diferencial, está menos no modelo adotado e mais nas características dos ciclistas que o executam. “Não digo que o treinamento na zona 2 seja uma solução milagrosa. Nossa maior vantagem é que temos os melhores ciclistas do mundo.”
Vermeersch finaliza fazendo uma comparação do ciclismo atual com o ciclismo de alguns anos atrás. “Hoje em dia, em grandes corridas, os ciclistas se esforçam tanto desde o início que é importante ter o máximo de reserva possível no final do dia para poderem pedalar forte novamente, mas não mais no pico absoluto de potência”.
“Antigamente, o esforço nas corridas era diferente do que fazemos hoje. É por isso que mais equipes estão começando a priorizar o treinamento de resistência à fadiga , embora eu ainda treine leve às vezes. Não é que estejamos negligenciando os estímulos do VO2 máximo.”, encerrou Vermeersch.