Gregário de Tadej Pogacar revela calendário, mas admite fadiga extrema “eu queria extrair mais do meu corpo permitia”
O esloveno Domen Novak, de 30 anos, foi um dos principais gregários de Tadej Pogacar ao longo de toda a temporada, com um papel fundamental nos Monumentos e também durante a conquista do Bicampeonato Mundial do líder da UAE Team Emirates.
Apesar dos resultados, o ano esteve longe de ser tranquilo para Novak, que enfrentou muitos problemas de saúde, como admitiu ao canal Siol, onde revelou também seu calendário para a próxima temporada, sem esconder sua satisfação em estar na principal equipe do World Tour: “a equipe me parabeniza, tanto quanto a Tadej”.

“Queria extrair mais do meu corpo do que ele me permitia”
Novak foi inicialmente questionado sobre os recorrentes problemas de saúde ao longo da temporada. O esloveno foi direto.
“Acho que quis demais nesta temporada e tentei forçar a barra de alguma forma. Depois percebi, e isso também foi comprovado pelos exames, que eu queria extrair mais do meu corpo do que ele me permitia.”
O ciclista explicou que o excesso de intensidade acabou cobrando seu preço. “Literalmente me esforcei ao máximo todos os dias e paguei o preço. Não se tratava de ficar deitado por uma semana, perdi 3 ou 4 treinos. Em vez de me dedicar 100%, dei 110%, e você paga o preço por esses 10% extras no final.”

Planejamento da próxima temporada
Apesar do desgaste, o esloveno já tem um calendário bem definido para o início do próximo ano. Segundo ele, a preparação começará fora da Europa.
“Começarei a temporada em janeiro no AlUla Tour (27.02), na Arábia Saudita, e logo após a prova voarei para Sevilla. Ficarei em Sevilla por quase um mês, depois tenho as provas de Jaén (Clásica Jaén, 16.02) e Ruta del Sol (18.02) me esperando.”

Competições trabalhando para Tadej Pogacar iniciam em março
A partir de março, o foco estará nas grandes provas italianas. “Em março, competirei na Strade Bianche (trabalhando para Pogacar em 07.03), Tirreno-Adriático (09 a 15.03) e Milan-Sanremo (trabalhando para Pogacar em 21.03), na Itália.”
Na sequência, o calendário inclui corridas por etapas e clássicas tradicionais. “Em seguida, vêm a Volta ao País Basco, as Clássicas das Ardenas (Liège-Bastogne-Liège, com Pogacar) e depois o Tour de Romandie e o Tour de Suisse (ambas com Pogacar).”

“Vou correr a Liège-Bastogne-Liège pela 3ª vez consecutiva”
Perguntado se tem influência direta na definição do seu programa de competições, Novak demonstrou total confiança na equipe.
“Eu não tenho nenhuma exigência específica. Acho que a equipe sabe melhor onde você se destaca e onde você gosta de correr. Para mim, uma das corridas mais bonitas da temporada é Liège-Bastogne-Liège e no ano que vem vou correr pela 3ª vez consecutiva.”
Segundo o esloveno, o conhecimento da equipe sobre seus períodos de melhor forma faz toda a diferença: “A equipe também sabe em que período da temporada estou na melhor forma e me utiliza melhor nesses momentos.”

“A equipe me parabeniza, tanto quanto parabeniza o Tadej“
Domen Novak não escondeu sua satisfação co falar sobre o clima interno da UAE Emirates, destacando a gestão como um dos principais fatores para o sucesso coletivo.
“Mauro (Gianetti, gerente geral da UAE Emirates) e Matxín (diretor esportivo) coordenam muito bem a equipe. Somos a equipe mais tranquila do pelotão. Nós simplesmente nos divertimos.”
O esloveno ressaltou ainda o reconhecimento coletivo dentro do time, independentemente do papel de cada um na corrida. “Por exemplo: a equipe me parabeniza, por ter feito meu trabalho na primeira parte da corrida, tanto quanto parabeniza o Tadej, que venceu no final.”
Para ilustrar esse espírito, Novak relembrou um momento marcante: “Lembro-me da Liège-Bastogne-Liège em 2023, quando a equipe ficou quase mais feliz por mim do que pelo Tadej, que ganhou”, finalizou Domen Novak.
