“Isaac del Toro e Richard Carapaz eram mais fortes que eu” campeão do Giro d’Italia revela detalhes da vitória histórica
Simon Yates venceu o Giro d’Italia 2025 de maneira impressionante. O britânico da Visma-Lease a Bike triunfou pela 2ª vez em um Grand Tour, mesmo sem plena confiança, conforme revelou o britânico ao Roleur Live, evento que aconteceu em Londres, e se encerrou neste sábado.
Por uma década, Yates competiu pela estrutura que hoje é a Jayco AlUla, onde conquistou o título da Vuelta a España (2018). No entanto, ao fim de 2024, sentiu que o ciclo havia terminado e assinou com a Visma-Lease a Bike aos 32 anos.

“Eu não tinha certeza se teria chance”
“Eu não tinha certeza se teria minha chance na Visma“, admitiu o britânico ao Roleur Live. Ainda assim, as conversas com o novo time foram claras desde o início.
Yates sabia exatamente qual seria seu papel: “Se me derem uma chance no Giro, vou tentar aproveitá-la. E ainda irei ao Tour como gregário do Jonas (Vingegaard)“, imaginava o britânico antes da vitória.

“Isaac del Toro e Richard Carapaz eram mais fortes do que eu”
Em sua 8ª presença no Grand Tour italiano, Yates foi protagonista de um dos momentos mais marcantes da edição, ao vencer de forma dramática a 20ª etapa e, com isso, assegurar a vitória na Classificação Geral.
O britânico recorda do embate com os favoritos Isaac Del Toro (UAE Emirates) e Richard Carapaz (EF Education): “Minha única chance era que eles se olhassem“, relembra. “Tentei deixá-los para trás no início da corrida, mas eles eram mais fortes do que eu“, explicou.
A oportunidade surgiu apenas no momento exato de hesitação entre os adversários. “Sabia que Carapaz já tinha vencido o Giro e que o 2º ou 3º lugar não faria diferença para ele. Então, tudo se encaixou para mim.“

O impacto de Wout van Aert na conquista
Yates também detalhou os bastidores daqueles minutos decisivos. “Quando lancei os ataques, não se falava muito dentro do carro“, lembra. “Quando eu abria vantagem, precisava saber se eles estavam juntos, porque se estivessem, estariam mais devagar. Eu gritava pelo rádio”, disse Yates.

Foi então que Wout van Aert se juntou a ele. “Acho que a presença do Wout desestabilizou um pouco os outros dois (Del Toro e Carapaz)“, disse Yates.
Para ele, não foi apenas a força física do companheiro que fez diferença, mas também o fator psicológico: “Eles ouviram: ‘Simon se juntou a Wout’. Os dois já estavam brigando; não eram mais amigos“, contou, relembrando o desfecho memorável daquele 31 de maio de 2025.

A redenção após o trauma no Giro d’Italia de 2018
A vitória no Giro também representou uma espécie de revanche pessoal para Yates. Em 2018, no Colle delle Finestre, ele perdeu a esperança de vencer a prova após um colapso físico.
“O Giro é uma corrida pela qual me apaixonei. Em 2018, desmoronei completamente. Nos anos seguintes, voltei e tentei novamente, mas nunca deu certo“, relembra.

Desta vez, porém, tudo acabou dando certo. “Tudo correu tão bem este ano, nenhum pneu furado ou queda sequer. É aí que tudo começa. É um alívio, você pensa: ‘Não acredito que tudo correu tão bem’.“
Ao ser questionado sobre o que esta vitória representa na sua carreira, Yates foi enfático: “Acho que não. Nada jamais superará isso, nem mesmo no ciclismo, em toda a minha vida. A euforia que senti naquela corrida, não consigo imaginar experimentá-la novamente.“
