“Isaac del Toro sabia o que fazia, Evenepoel regrediu” Johan Bruyneel analisa francamente os dois rivais no UAE Tour, assista o vídeo
O desempenho de Remco Evenepoel (Red Bull-Borahansgrohe) no UAE Tour, gerou debates na mídia especializada. Enquanto seu rival Isaac del Toro (UAE Emirates) apresentou sólidas performances nas duras subidas árabes, o belga admitiu que o resultado ficou abaixo do esperado, chegando a classificá-lo como “um ‘choque de realidade’”.
As atuações dos 2 ciclistas foram debatidas, pelo ex-diretor de Lance Armstrong na US Postal Service, Johan Bruyneel e o jornalista Spencer Martin, no mais recente episódio do Podcast The Move.

“Isso dá 7,4 W/kg, Isaac del Toro sabia o que estava fazendo“
Bruyneel iniciou destacando a performance de Isaac del Toro, que protagonizou uma recuperação impressionante na dura subida a Jebel Mobrah, durante a 3ª etapa. O mexicano chegou a perder contato, mas voltou ao grupo principal e terminou a etapa em 2º lugar.
“Já vi isso antes do Del Toro. Ele já fez isso antes, de impor seu próprio ritmo”, afirmou Bruyneel. Embora aparentasse dificuldades no início da subida, Del Toro manteve um ritmo controlado, estratégia comprovada pelos dados de potência divulgados após a etapa.
“Eu vi as estatísticas em algum lugar nos últimos 9 minutos, que são os últimos 2,7 km. Ele fez uma média de 470 watts. Isso é real, é uma corrida RCS, então eles publicam seus watts reais, não é uma estimativa. Isso dá 7,4 W/kg. Ele sabia o que estava fazendo”, explicou Bruyneel.

“Não foi como se ele estivesse ficando para trás“
O analista belga reforçou que não se tratou de uma recuperação inesperada: “Não foi como se ele estivesse ficando para trás e, de repente, começasse a se sentir melhor e pudesse, limitar as perdas.”
Segundo ele, o momento em que o mexicano assumiu a liderança demonstrou total controle: “Ele sabia o que estava fazendo. No momento em que assumiu a liderança, dava para ver que ele tirou os óculos e, sim, focou.”

“Remco Evenepoel regrediu, ele não consegue vencer o UAE Tour”
Enquanto Del Toro impressionava pela estratégia, Evenepoel apresentou o comportamento oposto. O belga parecia confortável no início das subidas, mas perdia rendimento nos trechos decisivos.
Para Spencer Martin, o cenário já começa a indicar uma tendência preocupante: “Esta é a 4ª prova consecutiva do WorldTour em que ele venceu o contrarrelógio e ficou para trás na subida. Tem que ser algo mental, Johan, certo?”
Ele acrescentou que o nível físico não parece ser o problema: “Porque sabemos que fisicamente ele está em boa forma por causa desses contrarrelógios… a última prova do WorldTour que ele venceu foi o UAE Tour de 2023, então já faz um tempo, e isso mostra uma regressão.” Martin concluiu: “Agora ele não consegue vencer o UAE Tour.”

“Ele é explosivo, mas quando a subida é dura e longa, ele tem problemas”
A análise final apontou para uma possível característica no desempenho do belga. Mesmo demonstrando explosão e potência em subidas curtas, Evenepoel tem dificuldades quando o esforço exige maior duração.
“Ele deixou Tiberi para trás (4ª etapa), em uma subida muito íngreme, muito íngreme mesmo, mas curta”, explicou Bruyneel. “Então, fico tentado a pensar que, ele é explosivo, tem muita potência, mas o que vejo é que quando a subida é íngreme e longa, ele tem problemas.”
O próprio analista reconheceu o paradoxo: “Parece bobagem eu dizer isso porque, sabe, ele já venceu a Vuelta a España e foi 3º no Tour, então ele já fez isso. É só que não consigo encontrar essa consistência nesse nível”, finalizou Johan Bruyneel.