João Almeida analisa a temporada e relembra tensão com Tom Pidcock na Vuelta “pedi desculpas depois” ouça o áudio

A temporada de 2025 marcou um divisor de águas na carreira de João Almeida (UAE Emirates). O português conquistou as classificações gerais da Volta ao País Basco, do Tour de Romandie e do Tour de Suisse, além de alcançar um notável 2º lugar na Vuelta a España.

O ciclista também desempenhou papel importante como apoio a Tadej Pogacar durante o Tour de France, apesar de abandonar na 9ª etapa, devido a uma fratura na costela após uma grave queda.

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Em entrevista ao podcast do britânico Matt Stephens, João fez uma retrospectiva do ano, destacou um episódio que aconteceu na 9ª etapa da Vuelta, quando protagonizou uma tensa discussão com Tom Pidcock, além de analisar a superioridade da grande estrela da equipe, Tadej Pogacar.

Tensa discussão com Tom Pidocck

Durante a 9ª etapa da Vuelta a España, Jonas Vingegaard lançou um ataque decisivo na subida final, sendo perseguido por João Almeida e Tom Pidcock. O português tentava reduzir a diferença, mas, apesar de estar em grande forma, Pidcock não demonstrava a mesma disposição para colaborar.

“Ele me disse que eu precisava criar coragem”, revelou Pidcock, falando sobre a forte discussão entre os ciclistas. O britânico acrescentou: “Eu disse: ‘Se você diminuir um pouco a velocidade, eu consigo te seguir, ele estava gritando comigo, mas ele é como um trator’”.

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“Ele não tinha mais energia, pedi desculpas depois” relembra João Almeida

João Almeida relembrou o tenso momento no podcast: “Pedi desculpas depois.” O português comentou com bom humor as falas de Pidcock: “Não acho que tenha sido exatamente ‘crie coragem’, mas foi bem próximo. Eu sabia que ele estava no limite, e eu realmente conseguia sentir isso.”

Almeida admitiu que tentava assumir o controle da perseguição a Vingegaard. “Eu estava pensando: talvez eu queira forçar um pouco mais. Mas ele simplesmente não tinha mais energia, de verdade. Eu podia sentir isso, mas sempre se pode tentar”.

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“Foi até bom, porque nos aproximou um pouco mais”

Almeida ressalta que nenhum dos dois guardou mágoas. “Eu me desculpei depois, e ele disse que estava tudo bem. Não acho que tenha sido um grande problema, mas também acho que não foi a maneira correta de falar um com o outro”, reconheceu.

“No fim das contas, foi até bom, porque nos aproximou um pouco mais. Talvez tenha sido o início de um pequeno relacionamento. Foi um bom momento.”

Ele ainda recorda a atmosfera daquele dia: “Também foi um daqueles dias. Um lindo dia chuvoso… um frio de rachar. Perseguindo Vingegaard e pensando: Tom, eu realmente preciso da sua ajuda.”

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Tom Pidcock na roda do “trator” João Almeida

“Tadej Pogacar é imbatível em uma subida difícil”

Matt Stephens não poderia terminar a entrevista sem questionar João Almeida sobre o principal nome da UAE Team Emirates: Tadej Pogacar.

Ao ser perguntado sobre como vencer o esloveno, Almeida respondeu entre risos: “Acho que se for uma etapa muito difícil, você não tem chance”, disse prontamente. “Simplesmente não pense muito nisso. Guarde sua energia para dar o seu melhor, porque vai doer.”

Apesar disso, ele acredita que Pogacar pode ser superado. “Se for uma etapa complicada, acho que é possível. Com uma boa equipe, você pode conseguir colocá-lo em uma posição um pouco difícil.”

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Tadej Pogacar vence a 12ª etapa do Tour de France 2025, com chegada no Hautacam, com Jonas Vingegaard 2min 10seg atrás

“Tadej Pogacar é simplesmente mais forte

Ele citou o Tour de France de 2022, quando a Jumbo-Visma desestabilizou o esloveno: “Se ele estiver sozinho, em uma situação de dois contra um ou três contra um, fica mais difícil para ele.”

O português revelou que conversou com Pogacar sobre aquele dia: “Eu já disse isso a ele, acho que ele esteve muito mal naquele dia. Acho que ele poderia até ter vencido, ou pelo menos ter aberto uma vantagem maior. Acho que ele aprendeu muito com isso. Ninguém sabe tudo.”

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Tadej Pogacar, finalizou na 6ª posição a 11ª etapa do Tour 2022, perdendo a Maillot Jaune, após o trabalho da Jumbo-Visma

Mesmo assim, superar o esloveno não é tarefa simples. “Se você olhar também para a Paris-Roubaix e o Tour de Flandres… Van der Poel também tem dificuldades para vencê-lo nessas provas”.

Muitos ciclistas acabam ficando para trás nos trechos de paralelepípedos. Isso não faz muito sentido, mas é o que é. Ele é simplesmente mais forte”, concluiu João Almeida.

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