“Jonas Vingegaard desistiu diante do domínio de Tadej Pogacar” Johan Bruyneel analisa a presença de Vingegaard no Giro; assista o vídeo
Jonas Vingegaard estará na largada do Giro d’Italia 2026, no próximo dia 08 de maio. O dinamarquês da Visma-Lease a Bike tem como ambição para a temporada, vencer todas as Grandes Voltas do ciclismo profissional e, assim, entrar para um seleto grupo de ciclistas que conquistaram o feito.
Depois do Grand Tour italiano, ele também pretende disputar o Tour de France, embora a estratégia levante questionamentos sobre os riscos envolvidos.
O tema foi debatido recentemente pelo ex-ciclista e diretor de Lance Armstrong na US Portal Service, Johan Bruyneel, ao lado do jornalista Spencer Martin, no podcast THEMOVE. Para o belga, a decisão faz sentido.

“Jonas Vingegaard já demonstrou que pode vencer João Almeida”
“Acho perfeitamente lógico”, inicia Bruyneel. “Ele ainda precisa vencer, claro. Mas ele é o segundo melhor ciclista do Tour no mundo, não há dúvida disso. Tadej Pogacar está dando tudo de si no Tour, e para Jonas, João Almeida será seu maior rival. Ele já mostrou que pode vencê-lo.”
Bruyneel relembra o desempenho de Vingegaard na Vuelta a España, quando terminou à frente de João Almeida (UAE Emirates). “Acho que Jonas não estava no seu melhor. Mesmo assim, venceu de forma bastante dominante. Foi emocionante, mas ao mesmo tempo, não foi”.
“Na última etapa, ele disparou na frente. Almeida chegou a pressioná-lo em algum momento? O único ciclista capaz disso na Vuelta foi Tom Pidcock. Almeida não conseguiu deixar Vingegaard para trás.”

Além disso, o belga ressalta o peso histórico do feito que o dinamarquês busca. “Além disso, vencer todas as Grandes Voltas é incrivelmente valioso. Poucos ciclistas conseguiram.”
“Se você tem a oportunidade de dizer no final da sua carreira: ‘Venci 3 Grand Tours’, você tem que aproveitá-la. Temos Merckx, Froome e Hinault, mas Indurain não conseguiu”, afirmou o belga.
Além deles, Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Alberto Contador e Vincenzo Nibali também venceram todas as Grandes Voltas.

“Será que ele está desistindo diante da dominância de Tadej Pogacar?”
Apesar de reconhecer o valor da “Maglia Rosa”, Bruyneel também identifica sinais de insegurança na escolha de Vingegaard. “É o que eu entendi da decisão dele.”
Segundo ele, a sequência pode cobrar seu preço. O ex-diretor de Lance Armstrong questiona se Vingegaard conseguirá atingir sua melhor forma no Tour após disputar o Giro. “Ele provavelmente vencerá o Giro se sua preparação correr bem e provavelmente não competirá entre o Giro e o Tour”.
No entanto, o belga levanta uma questão polêmica: “Será que ele está desistindo diante da dominância de Tadej Pogacar e dizer: ‘Sabe, é muito improvável que eu consiga vencer o Tour, então vou disputar o Giro. Depois verei o que o Tour me reserva.’ É essa a impressão que tenho da decisão dele.”

“Jonas está enfrentando um canibal”
Bruyneel reconhece que Pogacar conseguiu o mesmo em 2024, ao vencer Giro e Tour, mas destaca diferenças importantes. “Pogacar não tinha a mesma mentalidade. Porque ele dominava tudo — o Tour, a temporada, o mundo inteiro do ciclismo. Jonas está enfrentando um canibal.”
Apesar das dúvidas, Bruyneel acredita que Vingegaard deve, sim, alinhar no Tour. “Ele tem que participar. Ele tem que estar lá e tentar. Imprevistos sempre acontecem: não há garantia de que Pogacar não enfrentará problemas todos os anos”.
“Ele caiu no ano passado, e poderia ter sido muito pior. Nessas situações, você tem que estar pronto para vencer.” Além disso, existe um fator psicológico a favor do dinamarquês.

“Se ele vencer o Giro, estará no início do Tour praticamente sem pressão”, explica Bruyneel. “Aconteça o que acontecer, está tudo bem. Não é como se ele precisasse se redimir pelo resto da temporada”, finalizou sua análise Johan Bruyneel.