Jonas Vingegaard fala sobre o futuro do ciclismo “não veremos mais corridas tão longas, há muita pressão”, assista o vídeo
Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), não teve uma temporada perfeita, apesar de vencer a Vuelta a España 2025. O espanhol concedeu uma entrevista ao jornal Marca, no qual fez um balanço da temporada, reconhecendo que 2025 poderia ter sido melhor.
Além disso, o dinamarquês analisou a dificuldade do ciclismo atual, acreditando que as corridas devem passar por um processo de diminuição de suas distâncias, devido ao extremo desgaste a que os ciclistas estão sendo submetidos.

“Não foi a melhor temporada“
Questionado sobre sua análise do ano, Vingegaard foi direto ao reconhecer que 2024 foi positiva, mas não a melhor de sua carreira. “Essa é uma pergunta difícil. Por outro lado, não exatamente. No fim das contas, acho que foi uma boa temporada. Não a melhor que já tive”.
“Claro, venci a Vuelta a España e fiquei em 2º no Tour de France. É um ótimo resultado, obviamente. Mas para poder dizer que foi minha melhor temporada, eu teria que ter vencido o Tour de France também”, complementou Jonas Vingegaard.

“Conversamos muito sobre se queríamos seguir na Vuelta”
O dinamarquês também relembrou os momentos tensos da Vuelta de 2025, marcada por fortes protestos e uma cerimônia de pódio improvisada em um hotel. “Não foi fácil. Conversamos muito sobre tudo o que estava acontecendo: o que deveríamos fazer, como deveríamos resolver a situação”.
“Se queríamos continuar, se queríamos seguir na corrida. Também, como faríamos se tivéssemos que parar durante uma etapa. Havia muita incerteza porque não sabíamos se conseguiríamos terminar cada etapa”.
“E em Madri, houve um momento de anticlimax. Finalmente, conseguimos e vencemos. Não pudemos fazer a cerimônia lá, mas tudo o que fizemos com a equipe foi muito especial.”

“Não posso comentar nada sobre o próximo ano”
Sobre a especulação crescente de sua participação no Giro d’Italia 2026, Vingegaard foi cauteloso.
“Não posso comentar nada agora. Ainda não decidimos o que faremos no próximo ano. É algo que precisamos conversar e discutir com a equipe. Depois, faremos um plano e veremos em quais corridas participaremos.”
Ele também comentou sobre seguir combinando Tour e Vuelta, algo que considera natural em seu calendário.
“Sempre gostei de disputar o Tour e a Vuelta. É uma temporada longa, e até outubro parece interminável. Mas se você disputa o Tour e a Vuelta, não precisa treinar muito depois do Tour; a temporada está praticamente encerrada. Sempre gostei dessa combinação.”

“O Tour é tão grande que, se você tiver a menor chance, você precisa ir em frente“
Durante a conversa o Tour de France e mais um domínio de Tadej Pogacar não poderia deixar de ser abordado e Vingegaard reconheceu a dificuldade para superar o melhor ciclista da atualidade.
“Acho que o Tour de France é tão grande que, se você tiver a menor chance, você precisa ir em frente. O Tour é enorme e é difícil vencer lá. Não estou dizendo que é impossível, mas talvez seja algo que você precise combinar com outras corridas.”
Vingegaard foi franco na receita para superar o esloveno: “Você pode fazer muitas coisas com estratégia, mas o mais importante são as suas pernas. Você precisa estar no seu auge. Eu sempre acreditei que o homem mais forte é quem vence o Tour.”

“Não veremos mais corridas tão longas como antes, há muita pressão”
Jonas Vingegaard comentou a declaração de Tadej Pogacar, de que estava exausto após a temporada. “Sim. Com o que está acontecendo no ciclismo hoje em dia, acho que não veremos mais corridas tão longas como antes. Há muita pressão, muitos dados, muitos treinadores o tempo todo”.
“É muito exigente. Acho que seria bom focar mais no aspecto mental. Para deixar claro que você também precisa se divertir”.
“Não precisa ser perfeito todos os dias. Às vezes é bom tomar uma cerveja, ou uma taça de vinho, estar com os amigos. Isso também faz parte da vida”, complementou Vingegaard.

O sonho de vencer o Giro d’Italia
Quando questionado sobre qual corrida escolheria se pudesse triunfar apenas mais uma vez em sua carreira, Vingegaard não hesitou: “Acho que eu preferiria o Giro d’Italia”, finalizou Jonas Vingegaard.