“Jonas Vingegaard vai atacar no início do Giro dItalia” lenda do ciclismo analisa a presença do dinamarquês no Grand Tour italiano
O campeão do Tour de France (2014), Vincenzo Nibali acredita que Jonas Vingegaard escolheu o momento perfeito para fazer sua estreia no Giro d’Italia.
O ex-ciclista, que venceu o Giro em 2013 e 2016, analisou o anúncio feito na terça-feira, de que o dinamarquês disputará tanto o Grand Tour italiano, quanto o Tour de France em 2026, destacando o favoritismo do campeão da Vuelta a España.
“É cedo demais para dizer, mas Vingegaard certamente escolheu estrear no momento certo, depois de vencer a Vuelta, além dos dois Tours. E o Giro, comparado à Vuelta, é mais adequado para ele”, iniciou Nibali em entrevista à La Gazzetta dello Sport.
“As montanhas do Giro são menos explosivas que as da Vuelta”
Segundo Nibali, a principal explicação não está ligada às condições climáticas, mas sim ao perfil do percurso.
“Não é tanto pelo clima: é verdade que ele é dinamarquês e faz mais frio no Giro do que na Vuelta, mas ele sempre se saiu muito bem nas altas temperaturas de julho no Tour. O principal motivo está nas características técnicas das subidas do Giro.”
“São menos explosivas do que as etapas da Vuelta, que são duras, mas geralmente não tão longas quanto as italianas. Este ano, na última semana, há pelo menos três grandes etapas com subidas perfeitas para Vingegaard.”
Entre os desafios do percurso, uma ascensão chama atenção de forma especial: “Piancavallo (20ª etapa): uma estrada larga, poucos pontos de referência, sempre difícil. E se repetirá duas vezes. Ideal para ele.”

“Ele deveria correr na Itália para recuperar a ‘confiança’ no nosso asfalto“
Para Nibali, o contexto recente da carreira de Vingegaard também pesou na escolha: “Ele venceu a última Grande Volta em que competiu, a Vuelta. Ele pode continuar nesse caminho, em um contexto que lhe convém muito bem.”
Ao falar sobre possíveis mudanças de dinâmica e estratégia, Nibali aponta um fator que pode exigir adaptação. “Talvez uma dificuldade seja encontrar chuva com mais frequência: em maio, no Giro, isso pode acontecer”.
“Eu o teria aconselhado a fazer algumas corridas preparatórias na Itália, para recuperar a ‘confiança’ no nosso asfalto, que ele não enfrenta desde a Tirreno-Adriatico de 2024, que ele também venceu.”
Mesmo assim, o ex-campeão reconhece a lógica da preparação escolhida: “Mas vi que ele optou por correr apenas em fevereiro, no UAE Tour, e em março, na Volta a Catalunya. Então…”.

João Almeida, um provável rival?
João Almeida deve ser o principal adversário do dinamarquês, porém Nibali lembra as surpresas recentes no Grand Tour italiano.
“Sim, mas o Giro, mais do que o Tour, ‘exige’ surpresas. Foi o mesmo em 2025: alguém poderia imaginar que Isaac Del Toro estaria forte, mas quem no início o imaginaria lutando pela Maglia Rosa até a penúltima etapa?”
“Jonas Vingegaard vai tentar atacar nas etapas iniciais”
Nibali comentou a postura que espera de Jonas Vingegaard ao longo da prova, esperando diferentes cenários.
“Se ele conseguir fazer a diferença em algumas etapas iniciais, com certeza vai tentar. Se você analisar o percurso, vai perceber que o dia de Blockhaus, na primeira semana, é incrivelmente difícil. Na Vuelta, Jonas venceu já na 2ª etapa…”

“Ele não gosta muito dos holofotes e se preocupa com sua vida privada, me vejo um pouco nele”
Nibali também explicou por que sempre demonstrou admiração pelo dinamarquês: “Além de sua habilidade na escalada, ele também não gosta muito dos holofotes e se preocupa bastante com sua vida privada. Nisso, me vejo um pouco nele”.
“Embora eu fosse menos reservado e às vezes gostasse de provocar meus rivais. Era parte da estratégia, por assim dizer. E eu gostaria que Jonas fosse um pouco mais aberto com o público do que o habitual em maio.”

“Se ele vencer o Giro, estará mais livre para desafiar Tadej”
Na visão do italiano, o Giro pode ser um fator positivo para o desempenho posterior de Vingegaard. “A mudança de planos lhe dará uma nova motivação, e isso é normal”.
“Um atleta não pode repetir sempre o mesmo padrão e se beneficia ao sair da rotina. Portanto, isso pode ajudá-lo em vista do Tour. E se ele conseguir vencer o Giro, poderá estar mais livre mentalmente para desafiar Tadej.”
Nibali ainda destaca a importância da decisão em termos de exposição: “De qualquer forma, é bom que ele tenha decidido se expor. Principalmente porque as corridas de um dia não são exatamente a sua praia, pelo que vimos até agora.”
A tríplice coroa como motivação?
Por fim, ao ser questionado se a possibilidade de conquistar a tríplice coroa antes de Tadej Pogacar poderia servir de estímulo extra, Nibali minimizou “Não creio. Tanto Vingegaard quanto Tadej olham, antes de tudo, para si mesmos, para o próprio caminho. E com razão.”