“Juan Ayuso parece que sabe se dar bem com os outros” ciclista da Lidl-Trek revela os primeiros contatos com o espanhol e analisa a evolução da equipe
O experiente ciclista italiano Jacopo Mosca está prestes a iniciar sua 8ª temporada defendendo a Lidl-Trek.
Aos 32 anos, ele concedeu uma entrevista ao canal italiano Bici.Pro, na qual abordou as grandes mudanças que estão acontecendo da equipe, relembrando uma inusitada aposta com Mads Pedersen no Giro d’Italia.
Além disso, Mosca comentou as primeiras impressões sobre a nova estrela da equipe, o espanhol Juan Ayuso, que chegou ao time após uma saída conturbada da UAE Emirates, marcada por rumores de dificuldades de convivência interna.

“Lembro-me do 1º treinamento, éramos mais de 100 pessoas, hoje somos pelo menos 200″
Questionado sobre o quanto a Lidl-Trek mudou ao longo dos anos, Mosca foi direto ao destacar o forte crescimento da equipe.
“A equipe está crescendo exponencialmente ano após ano. Lembro-me do primeiro treinamento com a Lidl-Trek: éramos mais de 100 pessoas, e parecia um número incrível. Hoje, somos pelo menos o dobro”.
“É incrível ver rostos novos e, ao mesmo tempo, perceber como todos os departamentos estão crescendo e progredindo. Trabalhamos por setores e cada um tem sua própria equipe específica. E isso é ótimo, porque nos motiva cada vez mais”, complementou Mosca.

“Com o desempenho que eu tinha há 10 anos, hoje você nem larga”
Mosca também falou sobre sua própria evolução como atleta, reconhecendo que, no ciclismo moderno, melhorar é quase uma obrigação para sobreviver. “O problema é que outros também estão melhorando.
“Para ser sincero, não consigo quantificar tudo em números: talvez nos treinos eu esteja alcançando desempenhos que não conseguia anos atrás, ou, comparado ao meu primeiro ano como profissional, estou atingindo números impensáveis”.
“Com o desempenho que eu tinha há 10 anos, hoje em dia você nem conseguiria largar”, confessa o italiano.

“É verdade que muitas vezes sou um dos primeiros a sobrar”
Ao explicar melhor sua função, Mosca destacou que sua real evolução nem sempre aparece nos gráficos. “Em competições costumo atacar de longe, não preciso fazer nenhum sprint especial nem ser o último a finalizar. O que importa, minha verdadeira evolução, é a projeção do que posso fazer em grupo.”
Ele reconhece que muitas vezes é um dos primeiros a sobrar, mas isso faz parte do trabalho. “É verdade também que muitas vezes sou um dos primeiros a ficar para trás, mas isso acontece porque exerço uma função específica”.
“O importante é estar presente quando necessário. Não consigo precisar a porcentagem exata da minha evolução, mas a cada ano melhoro um pouco e preciso continuar assim.”

“Juan parece ser um cara que sabe se dar bem com os outros“
A chegada de Juan Ayuso naturalmente despertou curiosidade dentro e fora da equipe. Mosca, no entanto, adotou um tom cauteloso ao falar do espanhol.
“Para ser sincero, não pedalei muito com ele, mas pelo jeito que se move, dá para ver que está integrado. Somos um grupo tão unido que é difícil não se integrar.”
O italiano revelou que já havia tido contato com Ayuso anteriormente. “O Juan parece ser um cara que sabe se dar bem com os outros: eu já o tinha visto há alguns meses na Alemanha, durante o encontro da equipe”.
“Vamos ver como será quando a pressão aumentar, quando estivermos no meio da competição. Aí saberemos mais. Não gosto de dar muita atenção ao que os outros dizem: quero ver o que ele faz aqui”, complementa Jacopo Mosca.

Aposta feita no Giro d’Italia não deve se repetir
Ao final da entrevista, após revelar sua presença na Milan-Sanremo, onde deverá trabalhar para Mads Pedersen, o repórter lembrou a famosa aposta feita por Mosca com Pedersen na 1ª etapa do Giro d’Italia 2025, quando ambos rasparam a cabeça após a vitória do dinamarquês, e perguntou se algo parecido poderia se repetir.
“Ah, não”, ri Mosca, “desta vez não vou fazer uma aposta dessas de novo. Da última vez, a Maglia Rosa estava em jogo. Mesmo que fosse para a Milan-Sanremo… Aí eu teria que lidar com a Elisa (Longo Borghini, sua esposa).”
Ele ainda completou, mantendo o tom descontraído: “Mas ela está ocupada com algumas clássicas, então não nos veremos por um tempo, e nesse meio tempo meu cabelo já teria crescido. Digamos que o objetivo seja ganhar a Sanremo com o Pedersen e manter meu cabelo também.”
