“Lance Armstrong é uma pessoa ruim, Tadej Pogacar é talento” lenda do ciclismo lança polêmica; assista o vídeo
O 3x campeão do Tour de France (1986, 1989 e 1990), Greg LeMond, voltou a atacar publicamente seu compatriota Lance Armstrong durante uma longa entrevista concedida ao jornal francês Le Télégramme. Os dois americanos possuem uma relação conturbada, e as declarações de LeMond indicam que a rivalidade está longe de terminar.
“Lance Armstrong é uma pessoa ruim. Ele e Johan Bruyneel são dois idiotas”, afirmou o duas vezes Campeão Mundial (1983 e 1989), que encerrou sua carreira em 1994, aos 33 anos. Além disso, o Lemond não escondeu sua admiração pelo melhor ciclista da atualidade, Tadej Pogacar (UAE Emirates).
“Se eu tivesse usado EPO, teria vencido o Tour com mais frequência”
Ao recordar aquele período, ele acredita que poderia ter conquistado ainda mais títulos caso tivesse recorrido a substâncias proibidas, especialmente EPO (Eritropoetina). “Olha, tenho certeza de que se eu tivesse usado EPO, teria vencido o Tour com muito mais frequência. Aliás, com muita facilidade”, declarou.
O americano também relembrou a temporada de 1991, quando terminou o Tour de France na 7ª colocação, em meio ao início da expansão do uso de EPO no pelotão. “Quando terminei em 7º lugar em 1991, meu moral ficou completamente abalado”.
“Você vê ciclistas que não esperaria, que de repente se distanciam de você. Foi um período muito difícil. Para mim, isso deixou um gosto muito amargo na boca em relação ao ciclismo”, acrescentou LeMond.
“É muito provável que ele tenha subornado a UCI“
LeMond se aposentou poucos meses depois de Armstrong conquistar o título mundial em Oslo. Inicialmente, porém, ele afirma que não tinha motivos para desconfiar do compatriota. “Eu realmente não tinha dúvidas sobre ele naquela época”, explicou.
“Quando ele venceu o Tour de France em 1999, pensei: ele perdeu muito peso, o que é normal, e ele fez aqueles exames de sangue depois”. No entanto, sua percepção começou a mudar após receber informações de um antigo mecânico que também havia trabalhado com Armstrong.
“Mas o problema é que meu mecânico, que também havia trabalhado para ele antes, me contou tudo em 2000. Depois que eu tinha todas essas informações, pensei: o que ele está fazendo de verdade? É muito provável que ele tenha subornado a UCI. As pessoas já diziam naquela época que tinham pago à UCI.”
Lemond afirma que, naquele momento, acreditava que o doping estava disseminado entre os principais competidores e que todos disputavam em condições semelhantes.
“Pensei: é tudo a mesma coisa, todo mundo usa drogas para melhorar o desempenho e todos estão no mesmo nível. É o que se diz em situações como essa. Mas se você paga à UCI e não é testado, isso não está certo”, afirmou LeMond.
“Ele fez coisas sobre as quais eu nem posso falar publicamente”
As críticas de LeMond não se limitam às suspeitas de doping. O americano afirmou que sua maior indignação está relacionada à maneira como Armstrong tratava outras pessoas.
“Era principalmente sobre como ele tratava as pessoas, porque ele me tratou terrivelmente por muito tempo. Ainda me lembro do dia em que ele tratou Marco Pantani daquela maneira no Mont Ventoux. A atitude dele em relação aos outros ciclistas… isso realmente me deixou furioso”, declarou.
Em 1998, Armstrong declarou que havia permitido que Pantani conquistasse a vitória. O italiano não gostou da interpretação, afirmando que aquela declaração diminuía o mérito de sua conquista. “Quando Armstrong dizia ‘mais rápido, mais rápido’ para me fazer acelerar, estava tentando me provocar.”
“Ele estava manipulando tudo nos bastidores; parecia que queria me destruir. Ele fez coisas sobre as quais eu nem posso falar publicamente porque afetam minha família, mas um dia eu as revelarei. O que ele aprontou há uns 7 ou 8 anos beira a insanidade.”
“Armstrong é uma pessoa ruim, Pogacar é um talento natural”
Questionado sobre como reagiria caso encontrasse Armstrong atualmente, LeMond não deixou dúvidas sobre sua posição. “Eu nem quero falar com ele, porque ele é uma pessoa ruim. Ele e Johan Bruyneel são dois idiotas. O Bruyneel também é um babaca. Todo mundo diz que ele sempre tem algo a dizer sobre mim e tenta espalhar boatos. Eles nunca param.”
“Na verdade, eu nunca falo sobre Lance Armstrong, exceto durante o Tour deste ano, quando as pessoas queriam compará-lo a Tadej Pogacar”, afirmou LeMond, referindo-se às declarações feitas em julho.
“Não posso provar, mas não existe nenhuma forma de doping que pudesse ter impulsionado o desempenho daquela maneira naquela época. Por outro lado, Tadej Pogacar… esse sim é um verdadeiro talento natural.”
“Vingegaard tem um VO2 enorme e é 10 kg mais leve que eu”
LeMond também demonstrou confiança em sua capacidade de avaliar o desempenho dos atletas, destacando seu conhecimento sobre fisiologia e potência desenvolvida pelos ciclistas.
“Conheço muito bem a fisiologia e as potências. Antes parecia que havia apenas um ciclista dominante por geração ou equipe (como na Sky), enquanto agora vemos vários talentos como Tadej Pogacar no topo”, analisou.
O americano compara também as características do dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).
“Naquela época, Armstrong era comparado aos grandes, mas se você olhar para um ciclista como Jonas Vingegaard, que tem um VO2 máximo enorme de 96 e também é 10 kg mais leve do que eu era naquela época, faz sentido que ele suba a montanha tão incrivelmente rápido.”
“Ver Paul Seixas me dá confiança de que o talento natural ainda se destaca”
Em contrapartida, LeMond demonstrou grande admiração por Pogacar, especialmente pela maneira como o esloveno se comporta dentro e fora das competições.
“Adoro a atitude de Pogacar. Tanto ele quanto a geração atual de ciclistas exalam espírito esportivo e não são tão negativos. De qualquer forma, estou curtindo o ciclismo novamente; talvez eu não acompanhe todas as etapas na íntegra, mas assisto a muitas delas.”
“A questão é a seguinte: chamamos Tadej de excepcional, mas isso já se tornou quase a norma. No entanto, quando você vê como caras como Paul Seixas já estão sendo comentados, isso me dá confiança de que o talento puro e natural, felizmente, ainda se destaca”, finalizou Greg LeMond.