Lenda do ciclismo belga revela graves dificuldades após encerrar carreira “me tornei quem eu não queria ser”

A lenda belga do ciclismo Tom Boonen, Campeão Mundial de Estrada em 2005, concedeu uma entrevista ao Talk show Happy Hour, do canal belga VTM, na qual falou abertamente sobre os desafios enfrentados após encerrar sua carreira profissional.

Um dos maiores ciclistas belgas da história, explicou que se adaptar à vida longe das competições exigiu mais do que encontrar uma nova ocupação: foi necessário lidar com as marcas deixadas por quase duas décadas no mais alto nível do esporte.

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Tom Boonen durante a entrevista

“Passei anos num mundo que não é real e me tornei quem eu não queria ser”

Com incríveis 122 vitórias profissionais, Tom Boonen encerrou sua carreira em 2017 defendendo a Quick-Step. O ciclista, atualmente com 46 anos, admite que a rotina de ídolo do esporte belga, o levou a um mundo irreal. “Passei 16 ou 17 anos num mundo que não é real, mas onde você dá tudo de si“, iniciou o belga com sinceridade.

Segundo ele, os anos dedicados ao ciclismo acabaram transformando sua personalidade, a ponto de não se reconhecer mais em determinados aspectos. “Por causa das corridas, eu me tornei alguém que eu não era ou não queria ser”, afirma Boonen.

Poucos atletas conheceram tão de perto a pressão de ser uma das maiores estrelas do ciclismo belga. Com 4 vitórias na Paris-Roubaix, 3 títulos no Tour de Flandres e a conquista do Campeonato Mundial de Estrada em Madri, em 2005, Boonen tornou-se um dos principais especialistas em clássicas de sua geração.

“É uma vida extrema, com altos e baixos. No mundo das corridas, tudo é feito para você, e de repente você também se torna um herói para muitas pessoas. Eu sempre consegui filtrar bem isso, mas deixou algumas marcas com as quais tive que lidar”, complementa o vencedor de 6 etapas do Tour de France.

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Tom Boonen derrota Alejandro Valverde para vencer o Campeonato Mundial de Madri

“Fui de 25 a 30 vezes em sessões de terapia”

Depois de deixar o ciclismo profissional, o belga decidiu procurar ajuda especializada para processar as experiências acumuladas durante os anos de competição.

Ao falar sobre a decisão, ele destacou os benefícios da terapia e afirmou não se arrepender de ter recorrido a esse acompanhamento. “Eu fui de 25 a 30 vezes em sessões de terapia de 1 a 2 horas cada. No entanto, eventualmente, há um resultado. Realmente ajuda, e eu recomendo a todos.”

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Tom Boonen ruma para vencer pela 4ª vez a Paris-Roubaix em 2012

Embora reconheça que a experiência não o transformou completamente em outra pessoa, Tom Boonen acredita que conseguiu compreender e assimilar melhor tudo o que viveu durante sua trajetória esportiva.

“Sou um Boonen 2.0 agora? Não, mas por causa disso, consegui digerir tudo o que ainda não tinha digerido. Eu já era uma pessoa calma, mas agora estou muito mais calmo”, concluiu Tom Boonen.

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