“Lutei por Isaac del Toro, mas a UAE ofereceu o dobro”, diretor do WorldTour revela que tentou contratar o prodígio da UAE Emirates
Isaac Del Toro esteve muito perto de dividir equipe com o equatoriano Richard Carapaz, cenário que hoje parece improvável. Atualmente líderes em suas respectivas equipes e protagonistas de um duelo histórico no Giro d’Italia 2025, os dois quase seguiram o mesmo caminho profissional.
A revelação foi feita por Jonathan Vaughters, diretor da EF Education-EasyPost, que afirmou ao canal Domestique ter identificado o potencial do mexicano muito cedo e tentado contratá-lo antes da investida da poderosa UAE Team Emirates.

“Lutei o máximo que pude para conseguir Isaac del Toro”
Segundo Vaughters, a diferença financeira entre as equipes foi determinante. O dirigente explicou que tentou competir com o orçamento milionário da equipe de Tadej Pogacar, mas a disparidade tornou a missão praticamente impossível.
“Uma coisa é descobrir um garoto de 16 ou 17 anos, se você o descobriu, Matxin (diretor da UAE Emirates) também o descobriu. Então, uma coisa é ser o primeiro a identificá-lo, e outra é ser o cara que o convence a assinar com o seu time”, disse ele.

“Com Isaac Del Toro como exemplo, lutei o máximo que pude para conseguir aquele garoto. Estivemos muito envolvidos com ele desde o início. Nós o tínhamos identificado e teríamos oferecido a ele o que seria o maior contrato para um novato na nossa história”, acrescentou.
O dirigente destacou que a oferta da UAE superou amplamente a proposta da EF. “Mas é claro, nossa oferta era menos da metade do que a UAE Emirates ofereceu, então, naturalmente, ele foi para aquela equipe. Fazia sentido”, concluiu.

“8 a cada 10 jovens não chegam a lugar nenhum ou não são bons”
Vaughters também explicou como o fator financeiro influencia o desenvolvimento de promessas no ciclismo profissional. “Com jovens talentos, 8 em cada 10 ou não chegam a lugar nenhum ou não são bons. Então você está jogando dinheiro em projetos fracassados repetidamente”.
“Mas os dois que podem dar certo são Isaac Del Toro e Tadej Pogacar. Se você pode arcar com essas despesas, em algum momento vai dar certo”, complementou o diretor.

“Não é nada agradável vê-los serem tirados de nós dessa forma”
Nem todos os talentos seguem o mesmo caminho. Vaughters citou o irlandês Ben Healy como exemplo de desenvolvimento interno bem-sucedido.
“Ben não era uma superestrela como Junior; ninguém esperava que ele chegasse ao nível que alcançou, mas temos um histórico de desenvolver ciclistas que ninguém imaginava”.

“Mas aí a INEOS ou alguma outra equipe aparece oferecendo milhões para rescindir o contrato. Já passei por isso antes com Bradley Wiggins (saiu da Garmin-Slipstream, comandada por Vaughters em 2009), e não é nada agradável vê-los serem tirados de nós dessa forma”, finalizou Jonathan Vaughters.