“Não vou vencer o Pogacar ou o Evenepoel, preciso explosão” jovem prodígio belga inicia jornada na Movistar, assista o vídeo
O jovem talento Cian Uijtdebroeks chega à Movistar com a convicção de que o momento certo finalmente chegou. Após uma saída tranquila da Visma-Lease a Bike, o ciclista de apenas 21 anos aposta que 2026 marcará sua consolidação como candidato à Classificação Geral nos Grand Tours.
Sua transferência foi uma das mais inesperadas e comentadas do mercado. Agora, ao lado de Enric Mas, ele revelou ao jornal MARCA suas motivações, expectativas e desafios para os próximos 4 anos na equipe espanhola.

“Meus objetivos não se alinhavam ao plano da Visma-Lease a Bike”
Segundo Uijtdebroeks, a decisão de sair da Visma-Lease a Bike foi pautada pela divergência de projetos esportivos.
“A Visma é uma equipe enorme, com muitas vitórias em Grand Tours, mas meus objetivos não se alinhavam com os deles. Quero lutar pela classificação geral nas Grand Tours. A Movistar me ofereceu isso desde o início.”
Cian Uijtdebroeks afirma não ter dúvidas quanto à decisão tomada: “Estou convencido de que o passo que estou dando agora é o certo. Meu coração está nos Grand Tours e, com a Movistar, sinto que eles confiam em mim.”

Giro ou Vuelta? O futuro depende do percurso
Com a Movistar, o belga já tem um esboço de calendário, incluindo as Clássicas nas Ardenas, antes de decidir entre o Giro d’Italia e a Vuelta a España, onde deve assumir a posição de líder da equipe.
“O percurso da Vuelta é incrivelmente difícil e eu gosto muito, mas o Giro também me atrai, é a primeira Grande Volta do ano e começar cedo me motiva. Vai depender do percurso e dos quilômetros do contrarrelógio, porque não queremos perder tempo”.

“Aerodinâmica não é o ponto forte de Tadej Pogacar“
Uijtdebroeks abordou também seu aprendizados durante os últimos anos, com reveses em sequência. Entretanto ele admite que foi nas dificuldades que mais evoluiu.
“Exatamente. Quando tudo funciona, você vê nos dados e sabe que está no caminho certo. A parte complicada é não entender por que algo não está funcionando”.
“Cada ciclista é diferente. Você pode falar sobre aerodinâmica, mas se você olhar para o melhor do mundo, Tadej Pogacar, você não diria que o ponto forte dele está aí. Percebi que algumas coisas simplesmente não são para mim”, complementou o belga.

“Fui do top 10 para o abandono, isso dói muito”
O belga admite que lidar com um apagão físico foi mais duro que qualquer queda. “Desde que eu era Junior, sempre estive na frente: entre os 10 primeiros, entre os 5 primeiros… E então, de repente, fui do top 10 para o abandono. Isso dói muito”.
“E a pior parte era não saber o porquê: você treina bem, se alimenta bem, faz tudo certo, e sua perna simplesmente cede. Quando descobrimos que tudo se devia à posição do selim, respirei aliviado. Mudamos isso e eu voltei. Mas essa incerteza, até você saber o que está acontecendo, é terrível”.

“Eu gosto da responsabilidade do líder, falar com a imprensa faz parte”
Agora na nova equipe, Uijdebroeks enfrentará a pressão que os grandes líderes enfrentam, ele afirma que está preparado:
“Nunca vi isso como pressão, mas sim como um privilégio. Se estão falando de você, é porque você está fazendo as coisas direito. Eu gosto dessa responsabilidade; até mesmo falar com a imprensa faz parte do jogo”.

“Não vou vencer o Pogacar ou o Evenepoel, preciso mais explosão“
Para finalizar o belga foi perguntado o que falta para ele brigar por uma posição no pódio de uma Grande Volta. “Preciso de um pouco mais de explosão e melhorar no contrarrelógio. Não vou vencer o Pogacar ou o Evenepoel no contrarrelógio, mas consigo evitar perder muito terreno”.
“Sou potente e consigo manter um ritmo forte por longos períodos. A Movistar quer investir nisso, e esse é um dos motivos da minha contratação”, finalizou Cian Uijdebroeks.