Nova ferramenta antidoping recebe fortes críticas “os ciclistas precisam enviar os dados de potência”; assista o vídeo

Na véspera do Tour de France do ano passado, a Agência Internacional de Testes (ITA) anunciou o desenvolvimento de uma nova abordagem para reforçar o combate ao doping no ciclismo.

A iniciativa consiste em uma “ferramenta de monitoramento longitudinal de desempenho baseada em dados de potência de ciclistas profissionais de estrada do sexo masculino”.

No entanto, a proposta enfrenta forte resistência por parte do sindicato dos ciclistas, a CPA. O presidente da entidade, Adam Hansen, manifestou-se de forma contundente contra o projeto, apontando riscos e inconsistências em comparação ao atual Passaporte Biológico.

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“Os ciclistas precisam enviar todos os dados de potência”

Em entrevista ao podcast Domestique Hotseat, Hansen revelou que o programa está sendo testado de maneira voluntária por ciclistas de 4 equipes. Apesar disso, ele deixou claro que a CPA não apoia a iniciativa e vê com preocupação os possíveis desdobramentos da ferramenta.

“O que eles estão testando este ano são dados de potência”, disse Hansen. “Os ciclistas precisam enviar todos os dados de potência e, em seguida, eles analisarão tudo. Se encontrarem algo irregular, farão testes mais específicos ou, talvez no futuro, isso possa até resultar em uma sanção”.

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Os dados de potência de ciclistas de 4 equipes estão sendo analisados

Somos 100% contra isso, assim como os ciclistas”

Hansen reforçou que, mesmo sendo apresentado como um projeto piloto, a posição do sindicato é firme. “Agora, eles estão testando isso apenas este ano com quatro equipes e a posição da CPA é muito clara: somos 100% contra isso, assim como os pilotos.”

“Ok, é só um teste. É voluntário, mas a minha pergunta é: ‘O que acontece se o ciclista não enviar os seus dados de potência?’ E eles (a ITA) respondem: ‘Ah, mas é só um teste.’” Para o presidente da CPA, esse tipo de resposta não oferece garantias suficientes aos atletas.

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“E se o treinador disser para pedalar a 120% por um período mais curto?”

Hansen também destacou diversos problemas práticos relacionados ao uso de dados de potência como ferramenta antidoping. “Com o sangue, os resultados permanecem muito consistentes, então o Passaporte Biológico não é uma má ideia”, disse Hansen.

“O problema com os dados de potência é como eles sabem o que os ciclistas estão fazendo? E se o seu treinador disser para você pedalar a 80% por três semanas e, no dia seguinte, disser que você vai pedalar a 120% por um período mais curto?”

Sem conhecer o programa de treinamento, como eles sabem o que o ciclista está fazendo?”

Sem conhecer o programa de treinamento dado pelo treinador, como eles sabem o que o ciclista está fazendo?”, questiona Hansen. Outro ponto levantado envolve problemas técnicos, como falhas em dispositivos de medição.

“E se o seu Garmin cair, o que acontece às vezes, e você não conseguir enviar seus arquivos, ou se a bateria do seu Garmin descarregar, isso significa que você não pode treinar?” Para Hansen, a possibilidade de penalizações devido à perda de dados aumenta a pressão psicológica sobre os ciclistas.

“Porque perder um teste é muito grave, e isso só aumenta o estresse para os atletas. Para mim, está ficando demais. E é por isso que você vê esses caras mais jovens simplesmente se esgotando. Eles não conseguem aguentar”, finalizou Adam Hansen.

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