“Paul Seixas estava se tornando o queridinho, a prova expôs suas fraquezas” vencedor de etapas do Tour de France analisa a evolução do francês
Aos 19 anos, Paul Seixas (Decathlon CMA CGM) se prepara para disputar sua primeira Grande Volta justamente no Tour de France, a partir do próximo dia 4 de julho.
Entretanto, sua preparação foi interrompida por uma forte queda durante o Tour Auvergne-Rhône-Alpes, acidente que o obrigou a abandonar a competição. Para Jens Voigt, vencedor de duas etapas do Tour de France (2001 e 2006), esse contratempo pode ter surgido no momento ideal para o desenvolvimento do jovem talento.

“Não creio que ele cometerá esse erro novamente”
Voigt destacou o desempenho impressionante de Paul Seixas nas principais provas da temporada. “Paul Seixas teve uma primavera muito forte. Na Liège-Bastogne-Liège, ele foi o último ciclista que conseguiu acompanhar Pogacar. Isso merece muito crédito”, inicia Jens Voigt.
O comentarista do Eurosport também recordou a atuação do francês na Volta ao País Basco, onde conquistou a vitória apesar de um equívoco estratégico durante a corrida.
“Ele também venceu a Volta ao País Basco, apesar de ter cometido um erro tático (6ª etapa). Ele atacou na chuva atrás do grupo da frente, mas não conseguiu chegar à frente e não conseguiu escapar, isso demonstra maturidade, não creio que ele cometerá esse erro novamente”, disse o ex-ciclista de 54 anos.

“A prova expôs todas as suas fraquezas“
Depois do sucesso na Volta ao País Basco, Paul Seixas alinhou no Tour Auvergne-Rhône-Alpes como parte de sua preparação final para o Tour de France. No entanto, uma queda encerrou sua participação na corrida, episódio que acabou reduzindo a expectativa que cercava o francês.
“O destino, na verdade, lhe fez o maior favor possível. Isso soa um pouco estranho a princípio, mas a enorme pressão das expectativas foi significativamente reduzida como resultado”, diz Voigt, que continua:
“As pessoas perceberam que ele também é humano. Ele admitiu, com autocrítica, que assumiu muitos riscos e tentou recuperar posições na descida. No entanto, entrou na curva muito rápido. Ele também aprenderá com isso”, assegurou Voigt.

O especialista acredita que a corrida evidenciou pontos em que o jovem ainda precisa evoluir. “A prova expôs todas as suas fraquezas, no contrarrelógio por equipes, na tática, na gestão de riscos e na paciência”.
“Ao mesmo tempo, ele mostrou caráter. Depois da queda, ele estava de volta à largada no dia seguinte, mesmo tendo se machucado bastante”, disse Voigt, visivelmente impressionado.

“Ele estava a caminho de se tornar o queridinho de toda uma nação“
Na opinião do ex-ciclista alemão, o acidente chegou antes que a pressão se tornasse excessiva e ajudará na formação de um atleta mais completo.
“Ele estava a caminho de se tornar um astro absoluto e o queridinho de toda uma nação. Então veio esse pequeno golpe no queixo. De repente, ele percebeu: eu também preciso trabalhar, lutar, ser paciente e tomar as decisões certas. Na minha opinião, a dolorosa lição veio exatamente na hora certa.”

“Se algo der errado para os outros ele pode vencer o Tour”
Recentemente, o diretor da UAE Emirates, Joxean “Matxin” Fernández, comparou Paul Seixas ao bicampeão do Tour de France Jonas Vingegaard. Para Jens Voigt, a avaliação faz sentido.
“Concordo plenamente com Matxin Fernández: Seixas pode terminar em segundo ou terceiro. Se tudo correr perfeitamente e algo der errado para os outros, ele pode até vencer. No entanto, muita coisa teria que acontecer para isso ocorrer”, prevê o especialista da Eurosport.
Voigt encerra destacando que a principal conquista do jovem francês foi compreender a verdadeira exigência do ciclismo de elite.
“No entanto, ele agora entendeu que nada é fácil no ciclismo profissional. Essa constatação pode ser extremamente valiosa para sua carreira futura. Ele não cometerá nenhum desses erros uma segunda vez”, concluiu Jens Voigt.