“Pensamos que Tadej Pogacar desistiria do Tour de France” Tim Wellens revela bastidores inéditos da lesão de Pogacar no Tour 2025
Tadej Pogacar quase abandonou o Tour de France 2025 devido a uma lesão no joelho. A revelação foi feita por Tim Wellens, um dos principais gregários do esloveno, em entrevista ao canal francês L’Équipe.
O belga relembrou como a vitória no Grand Tour francês, quase escapou na última semana da prova e comentou sobre o domínio da UAE Emirates ao longo da temporada, bem como as críticas que a equipe enfrentou.

“Tim, temos um problema, meu joelho dói muito”
Após o Singapore Criterium, Tim Wellens recordou o momento crítico vivido por Pogacar ao L’Équipe. “Na etapa para Valence (17ª etapa, Jonathan Milan venceu e Pogacar terminou na 27ª posição), ele me disse: ‘Tim, temos um problema, meu joelho dói muito’”, relembrou.
“O desconforto era tão intenso que Pogacar precisou descer até o carro médico durante a prova. Após os exames no hospital, o diagnóstico foi impreciso”.

“Chegamos a pensar que ele desistiria”
“Encontraram uma inflamação ou algo parecido, mas ninguém sabia ao certo. Eu tinha certeza de que haveria um vazamento. Ele estava sofrendo muito e não tínhamos certeza se ele conseguiria terminar a prova. Chegamos a pensar que ele desistiria.”
Wellens descreveu um clima de apreensão na equipe. “Dava para perceber que o corpo dele não estava bem, ele estava inchado, tinha engordado. Vê-lo chegar a Paris foi um grande alívio”.
“Todos se perguntavam por que ele não estava atacando, mas agora faz sentido. Estávamos preocupados com ele fisicamente, mas mentalmente ele se manteve forte.”

“Espero que outras equipes não vejam isso como arrogância“
Tim Wellens também falou sobre o domínio da UAE-XRG, um assunto que tem gerado críticas de equipes rivais.
“É verdade que existe confiança. Antes do G.P. de Montreal, dissemos: ‘Não há motivo para estresse, somos os melhores’. E então, dominamos completamente a corrida. Espero que outras equipes não vejam isso como arrogância, mas entendo se for frustrante.”
Ele explicou que essa confiança tem um efeito multiplicador dentro do grupo: “Antes das corridas italianas no final da temporada, todos estavam cansados, mas eu mal podia esperar para correr porque sabia que iríamos com Isaac Del Toro. Era quase certo que ele venceria todas as vezes. Foi ótimo fazer parte dessa energia.”

“Tadej competirá por muito tempo, ele realmente ama o que faz”
Tim Wellens não economizou elogios ao jovem Isaac Del Toro: “Ele é muito inteligente e maduro, parece ter dez anos a mais. Mesmo depois do Giro, quando não venceu, ele se manteve decisivo para a equipe. Esse tipo de atitude inspira a todos.”
Sobre Tadej Pogacar, ele foi enfático: “Para mim, ele é o ciclista mais profissional da equipe, junto com Juan Ayuso (está saindo da equipe rumo à Lidl-Trek). Um dia, tínhamos acabado de voltar de Abu Dhabi, todos exaustos, mas ele saiu para treinar no calor.”
Ainda assim, Wellens acredita que Pogacar tem longa carreira pela frente: “Acho que Tadej continuará competindo por muito tempo porque ele realmente ama o que faz.”

Tadej Pogacar na Paris-Roubaix novamente?
Pensando na próxima temporada, Wellens confessou estar motivado com a possibilidade de correr novamente ao lado do esloveno, especialmente nas clássicas:
“Estamos falando em fazer um reconhecimento para a Paris-Roubaix. Adoro quando o Tadej está conosco em uma corrida. Quando ele está lá, tudo fica melhor, o ambiente é mais descontraído, rimos mais e a equipe fica ainda mais motivada.”
Questionado sobre sacrificar oportunidades individuais, ele respondeu com pragmatismo: “Isso realmente não me incomoda. Tenho chances suficientes durante a temporada. Mesmo quando Tadej está lá, como na Strade Bianche, sou o último a ajudá-lo. Então termino em terceiro.”

Para 2026, o belga simplificou seus objetivos: “Percebi que é importante focar no que realmente importa. Fiquei feliz por vencer em Mallorca no início do ano, mas ninguém se lembra disso”.
“Então, prefiro mirar nas Clássicas e em um Grand Tour. Claro, sonho em vencer o Tour de Flandres. Mas, honestamente, se eu conseguisse vencer qualquer Clássica, já seria incrível”, finalizou Tim Wellens.