Polêmica antes da Paris-Roubaix, UCI proíbe sistema inovador de pneus da Visma, equipe reage forte “isso não é coincidência”
A poucos dias da Paris-Roubaix, a UCI decidiu proibir o uso de um sistema de ajuste de pressão de pneus utilizado pela Visma-Lease a Bike, gerando forte insatisfação dentro da equipe, tanto pelo momento da decisão quanto pelos argumentos apresentados.
A tecnologia Gravaa, permitia aos ciclistas modificar a pressão dos pneus em plena corrida, reduzindo-a nos trechos de paralelepípedos e aumentando novamente no asfalto. O recurso vinha sendo utilizado e aperfeiçoado pela equipe nas últimas duas temporadas.

“Há duas semanas, recebemos uma carta informando que ele foi proibido”
“Trabalhamos com o sistema Gravaa nos últimos 2 anos. Desenvolvemos e testamos bastante durante o inverno”, afirmou Mathieu Heijboer, chefe de desempenho da equipe.
“Mas, há duas semanas, recebemos uma carta informando que ele foi proibido pela UCI. Então, paramos imediatamente”, complementou o dirigente, em entrevista ao podcast In de Waaier.
De acordo com a equipe, a decisão da UCI estaria relacionada à incerteza sobre a disponibilidade do sistema, após a falência da empresa holandesa Gravaa no início do ano. “O motivo alegado é que a empresa faliu. Pouco depois, houve uma retomada das atividades, mas, devido à situação, a UCI duvida da viabilidade comercial.”

“Você pode encomendar um se quiser”
O dirigente contestou o argumento da entidade reguladora, defendendo que o sistema continua disponível para aquisição. “Você pode encomendar um se quiser”, disse Heijboer.
“Não há nenhuma regra que diga que um pneu precisa estar disponível com duas semanas ou 2 meses de antecedência. O momento de uso é a corrida, e se estiver comercialmente disponível naquele momento, você cumpre as regras.”

“Isso não é coincidência”
Outro ponto polêmico, foi o timing da decisão. Segundo o dirigente, o sistema foi utilizado recentemente no GP de Denain (19.03) sem qualquer restrição, e não houve aviso prévio por parte da entidade.
“Não recebemos nenhum aviso prévio, apenas aquela carta”, afirmou Heijboer. “Depois de Denain, a maior corrida de paralelepípedos depois de Roubaix, não houve problema algum. Agora há. Isso não é coincidência”, finalizou Mathieu Heijboer.