Jovem prodígio da UAE Emirates revela conselhos de Tadej Pogacar “manter a calma e curtir o ciclismo, mas às vezes é difícil”
Aos 20 anos, Pablo Torres completou sua primeira temporada como ciclista profissional, após ser promovido da equipe de desenvolvimento para a principal equipe do WorldTour, a UAE Emirates-XRG.
E outubro reservou um momento que ele jamais esquecerá: durante a Tre Valli Varesine, o espanhol se viu dividindo o pelotão comseu ídolo de infância: Tadej Pogacar. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, Torres descreveu a experiência como “um sonho”.

“Ele me disse para manter a calma e curtir o ciclismo“
“Pogacar sempre foi meu ídolo”, contou o jovem. “Competir com ele e trabalhar para ajudá-lo a vencer, o máximo que eu puder, é um prazer“, afirmou o espanhol, que ainda não conseguiu vencer como profissional.
Segundo Torres, Pogacar desempenha um papel ativo na formação dos mais jovens. “Ele dá conselhos, mas principalmente conselhos muito específicos para as corridas que fazemos juntos”, explicou o espanhol.
“Em geral, a principal coisa que ele me disse é que você precisa manter a calma e curtir o ciclismo”, revelou Pablo Torres.

Ascensão meteórica rumo ao World Tour
A trajetória de Torres para a elite do ciclismo foi meteórica. Em pouco mais de 2 anos, ele passou da categoria Junior na equipe espanhola Sanse para o WorldTour.
“Há muitas vezes em que você nem consegue processar tudo porque tudo acontece tão rápido que você não tem noção de onde está”, afirmou.
“Estou assimilando aos poucos, e para mim é um prazer estar na UAE. Me vejo como apenas mais um ciclista, não sinto que as coisas estejam acontecendo rápido demais.”

“Fiquei quase três semanas sem tocar na bicicleta“
Pablo Torres viveu momentos difíceis em sua estreia na elite do cilsimo. A queda no Tour da Hungria (que também envolveu o português Rui Oliveira) foi, segundo ele, um dos episódios mais duros de sua carreira até agora.
“Foi um momento muito difícil porque eu nunca tinha sofrido uma queda tão grave”, lembrou o ciclista. “Fiquei quase três semanas sem tocar na bicicleta e, quando voltei, foi como começar a pré-temporada novamente.”

Ele conseguiu recuperar a forma a tempo do Tour de l’Avenir, mas admite que o desempenho não correspondeu às expectativas. “O resultado não foi o que eu queria, mas aprendi muito”.
“Eu estava sob muita pressão, nunca tinha vivido com tanta. Todos esperavam que eu vencesse ou pelo menos subisse ao pódio, porque eu tinha ficado em 2º lugar no ano anterior. Lidar com tudo isso foi difícil, mas me ensinou a lidar com a situação”, complementou o espanhol.

“Às vezes é difícil, mas você precisa se concentrar“
Ele valoriza também as palavras tranquilizadoras da diretoria da equipe. As orientações dos diretores Mauro Gianetti e Joxean Matxin seguem o mesmo tom: “Eles não me pedem nada específico em termos de desempenho. O que eles querem é que eu dê o meu melhor”.
“Eles me dizem para manter a calma e fazer as coisas corretamente, mas sem pressa, porque os resultados virão. Eles sempre me transmitem essa sensação de tranquilidade.”
Lidar com o peso das expectativas continua sendo um exercício constante: “Às vezes é difícil, mas você precisa se concentrar em dar o seu melhor e tentar não se deixar afetar pelo que as pessoas dizem.”

Treinamentos para 2026 já iniciaram
Neste período de inverno, seu foco tem sido aprimorar a explosão e manter uma alimentação equilibrada, área que ele considera uma das principais dificuldades em 2025.
“Estou me concentrando muito nisso. Quero fazer as coisas direito para poder me manter em um peso ideal durante toda a temporada e ter um bom desempenho em 2026.”
Sobre o calendário de provas, nada está definido, e nem mesmo uma possível estreia em um Grand Tour.
“Espero que sim — eu gostaria. Seria um prazer correr uma Grande Volta. Mas há muitos ciclistas que também precisam estar lá e as vagas são limitadas”, finalizou Pablo Torres.