“Se Pogacar e Vingegaard competirem ninguém mais vence” Johan Bruyneel destaca a crise no ciclismo espanhol

A Espanha vive uma longa espera por um novo vencedor da classificação geral em um Grand Tour. Desde que Alberto Contador venceu o Giro d’Italia de 2015, nenhum ciclista espanhol voltou a alcançar esse feito.

Em uma entrevista ao Sporza, o ex-dirigente Johan Bruyneel analisou as razões para essa seca de resultados e apontou problemas profundos na estrutura do ciclismo espanhol. “O sistema está em frangalhos”, afirma o ex-diretor de Lance Armstrong.

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Alberto Contador foi o último ciclista espanhol a vencer um Grand Tour, o Giro em 2015

“Desafio para os pais deixarem seus filhos competirem

Vivendo há anos nos arredores de Madri, Johan Bruyneel acompanha de perto a realidade do ciclismo de base na Espanha. Segundo ele, a escassez de competições é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento de novos talentos.

Bruyneel cita a experiência do próprio filho, que compete no país e enfrenta dificuldades para encontrar oportunidades de corrida.

“É um grande desafio para os pais deixarem seus filhos competirem. Basicamente, você precisa viajar por toda a Espanha para encontrar corridas”, explica ele.

Na visão do ex-dirigente, a diferença em relação ao seu país natal, a Bélgica é evidente. “Lá você pode competir quando quiser.”

Outro fator apontado por Johan Bruyneel é a carência de referências recentes para inspirar os jovens ciclistas espanhóis. Segundo ele, grandes campeões do passado ajudaram a impulsionar gerações inteiras. “Os jovens também precisam de um ídolo. Como Indurain, Delgado, Contador ou Valverde.”

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Miguel Induráin venceu o Tour de France 5x consecutivas (91-95)

“O ciclismo na Espanha está em situação crítica”

Para Bruyneel, a principal preocupação está na diminuição da estrutura profissional do ciclismo espanhol. “O maior problema da Espanha no momento é a falta de times profissionais”, explica ele.

Atualmente, a Movistar Team é a única representante espanhola no WorldTour. Além disso, o número de equipes continentais e profissionais continua diminuindo, estreitando a base da pirâmide esportiva.

“E também há menos corridas do que antes, portanto, o sistema de ciclismo na Espanha está, na verdade, em situação crítica neste momento.”

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A Movistar de Enric Mas é a única equipe espanhola no WorldTour

“Tem Pogacar e Vingegaard. Se eles competirem, ninguém mais vence”

Mesmo quando surgem ciclistas promissores, o cenário atual do ciclismo internacional torna a conquista de uma Grande Volta ainda mais complicada. Bruyneel destaca o domínio de Pogacar e Vingegaard.

“No momento, não há muitos que consigam vencer um Grand Tour. Você tem Pogacar e Vingegaard. Se esses dois competirem, ninguém mais consegue vencer”.

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Pogacar e Vingegaard venceram as últimas 6 edições do Tour de France

Apesar das dificuldades estruturais e da forte concorrência internacional, Johan Bruyneel acredita que a Espanha ainda possui atletas capazes de alcançar grandes resultados. “Há talentos. Juan Ayuso (Lidl-Trek), por exemplo.”

O ex-dirigente também fez questão de destacar um dos jovens mais promissores do país, Benjamin Noval que fará sua estreia no WorldTour em 2027, pela Netcompany INEOS. “Ele é um supertalento”, diz Bruyneel sobre Noval, de apenas 17 anos, antes de fazer uma ressalva. “Mas ele ainda é muito jovem.”

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Juan Ayuso

Nenhuma possibilidade de vitória espanhola em Grand Tour

Questionado sobre a possibilidade de um espanhol voltar a vencer a classificação geral de um Grand Tour em breve, Bruyneel foi direto: “Não vejo nenhuma no momento”, afirma categoricamente. “Um espanhol vencer a Vuelta nos próximos 10 anos, isso ainda pode ser possível”, finalizou Johan Bruyneel.

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