“Se Tadej Pogacar vencer 10 etapas, seria a morte do Tour”, diretor da lenda Bernard Hinault analisa domínio de Pogacar no Tour de France; assista a entrevista
Às vésperas da Grand Départ em Lille, neste sábado, 5 de julho, cresce a expectativa para o início do Tour de France 2025. E como já é tradição, o experiente Cyrille Guimard, ex-treinador de Bernard Hinault e Laurent Fignon, com impressionantes 53 participações no Tour como ciclista, diretor, gerente ou comentarista, compartilhou suas análises em entrevista ao canal francês Cyclism’Actu.
Ele avaliou os favoritos e alertou para o que considera o risco de um Tour de France dominado por Tadej Pogacar.

“Pogacar tem uma equipe que se fortaleceu significativamente”
Em 2024, a expectativa girava em torno do “Quarteto Fantástico” — Primoz Roglic (Red Bull Bora-hansgrohe), Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) e Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step).
Em 2025, porém, a configuração parece diferente segundo Cyrille Guimard. “No ano passado, o Tour poderia ter sido um pouco diferente. Mas lembre-se das quedas graves sofridas por aqueles que eram logicamente os favoritos, Evenepoel, Vingegaard, Roglic.
Para o francês, Pogacar larga como grande favorito: “Este ano, as coisas parecem um pouco mais serenas em termos de favoritos. Considerando que Pogacar também tem uma equipe que se fortaleceu significativamente e que agora tem muita experiência.”

“A equipe de Vingegaard me parece um pouco mais fraca”
Sobre seus rivais, Guimard aponta uma queda de força. “A equipe de Vingegaard me parece um pouco mais fraca. Evenepoel, não acho que ele estará lá. Pelo menos, não para competir neste nível”.
“Enquanto ele não elevar as porcentagens acima de 6%, estará fora de questão para ele vencer. A menos que ele tenha feito o que era necessário para superá-las.”

“Pogacar com 10 vitórias de etapas? Seria a morte do Tour”
No ano passado, Tadej Pogacar venceu 6 etapas. Este ano, alguns falam em até 10 ou até 11 etapas. Poderíamos ter um Pogacar em modo canibal, com até 10 vitórias? E se isso acontecer, qual será a reação das pessoas?
“Não vamos falar sobre a reação das pessoas porque isso não vai acontecer”. “Eu conheço uma equipe que venceu 10 etapas do Tour”.
“Foi o Tour de 1984, com a vitória de Laurent Fignon, com a equipe Renault. Vencemos 10 etapas, perdemos uma que teria dado 11 com Vincent Barteau. Ele ficou tão feliz em levar a camisa, que se esqueceu de fazer o sprint e terminou em segundo.”
Para o francês, os tempos mudaram: “Hoje, isso não é mais possível. Posso estar errado, mas não consigo entender como um ciclista pode vencer 10 etapas. Acho que o pior é que seria a morte do Tour de France. Ele teria que frear se tivesse condições.”

“Espero que Evenepoel chegue muito mais magro”
Mesmo após um Critérium du Dauphiné abaixo das expectativas, Remco Evenepoel segue como nome de destaque. Guimard, no entanto, é cético.
“Só estou esperando uma coisa: que ele chegue realmente pronto para o início do Tour. Não foi o que aconteceu no ano passado. Chegar pronto significa estar muito mais magro. É por isso que eu estava falando dos 6%. Em subidas, quando passa disso, sua relação potência-peso se torna desfavorável.”
Ainda assim, Guimard não descarta um papel importante para Evenepoel em algumas etapas: “Sim, se ele atingir seu peso ideal, ele pode potencialmente ter um papel, já que há uma prova de montanha na qual ele pode abrir algumas lacunas”.
“Honestamente, eu o vejo como um ator, mas não para ganhar o Tour de France. Ele precisa ser um pouco mais calmo às vezes. Ele é um pouco cabeça quente, você tem que saber manter a calma”, finalizou Cyrille Guimard.