“Sem Tadej Pogacar, o mundo do ciclismo seria diferente” lenda do ciclismo Francesco Moser analisa os 3 maiores ciclistas da atualidade
A lenda italiana Francesco Moser, concedeu uma entrevista ao canal holandês HLN, onde analisou os três principais ciclistas da atualidade, revelando sua admiração pela estrela belga, Remco Evenepoel (Red Bull Bora-hansgrohe em 2026).
Entretanto, o Campeão Mundial de 1977, acredita que o cenário para Tricampeão Mundial de Contrarrelógio nos Grand Tours está se tornando cada vez mais complexo.
Se por um lado o grande favorito Tadej Pogacar certamente estará no Tour de France, ele poderá enfrentar dificuldade extra no Giro d’Italia, caso os rumores sobre sua participação se confirme, uma vez que, a presença de Jonas Vingegaard também deve acontecer.

“Ouço que Jonas Vingegaard estará no Giro d’Italia”
Na conversa com o HLN, Moser, que venceu 23 etapas do Giro d’Italia além da Classificação Geral em 1984, questionou a ideia de que o Giro d’Italia 2026 seria uma opção mais tranquila para o belga.
“Bem, sem Pogacar, sim. Mas agora ouço nos bastidores do Giro que eles já garantiram a presença daquele dinamarquês dinâmico para 2026. Jonas Vingegaard, de fato. Então o problema de Evenepoel simplesmente passa para outro lugar.”
“Vamos esperar pelo anúncio do percurso. As etapas serão apresentados em 1º de dezembro. Anotem: na época de Pogacar, muitos ciclistas aguardam ansiosamente por essa data.”

“Sem Tadej Pogacar, todo o mundo do ciclismo seria diferente”
E mesmo que Pogacar não apareça na Itália, Moser vê novos desafios no horizonte. “Se Pogacar não disputar o Giro, o mexicano aparecerá. Se alguém é ágil e flexível, esse alguém é Isaac Del Toro. Também um adversário difícil para Evenepoel.”
Para Moser, o Tour de France continua sendo o grande entrave nas ambições do belga. Ele acredita que a presença de Tadej Pogacar cria um teto quase intransponível.
“Nas subidas ele encontra Tadej Pogacar. E não consegue vencê-lo. Se ele não encontrasse essa fera assustadora, vencer o Tour seria possível. Sem Pogacar, todo o mundo do ciclismo seria diferente.”

“Ele não tem o físico adequado, no 4º dia nas montanhas a força desaparece”
Na análise do italiano, a desvantagem física de Evenepoel se evidencia ao longo de três semanas. “Enquanto o esloveno estiver lá, Evenepoel não vencerá o Tour. O cerne do problema é que seu compatriota não é um escalador”.
“Ele não tem o físico adequado. Em corridas de um dia, ele pode esconder essa fraqueza e, em um dia excepcional, competir de igual para igual com os melhores, não ao longo de uma sequência de etapas de montanha.”
Moser recorre à própria experiência para explicar: “Eu tinha o mesmo problema. Conseguia limitar os danos nas subidas, mas sempre tinha que compensar demais por causa do meu peso elevado”.
“Evenepoel é leve, mas tem uma constituição física bastante robusta. Ele consegue aguentar firme por três dias seguidos, mas no 4º dia a fadiga o atinge em cheio e a força desaparece.”

“Eu caía com a mesma frequência que outros, mas nunca quebrei um osso“
Questionado sobre o impacto da constituição física de Evenepoel, Moser utilizou seu exemplo. “Eu tinha um amigo que me pesava, media e anotava os números em tabelas. Ele vivia me importunando: ‘Você precisa castigar ainda mais as suas coxas, esse peso precisa ir embora urgentemente’.”
Mas, segundo ele, certos limites corporais não podem ser transformados. “Independentemente do que eu fizesse, nada adiantava. Até que as radiografias mostraram que eu tinha uma estrutura óssea excepcionalmente espessa”.
“Isso também tinha uma vantagem: eu caía com a mesma frequência que outros ciclistas, mas nunca quebrei um osso, nem mesmo o menor. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer de Evenepoel.”

“Forte como uma fera”: a admiração de Moser pelo estilo de Evenepoel
Apesar das críticas, Moser faz questão de ressaltar sua admiração pelo talento do belga — especialmente no contrarrelógio. “Você quer dizer Remco Evenepoel. É óbvio que ele é um prodígio da aerodinâmica, mas acima de tudo, ele é forte. Forte como uma fera.”
O italiano chega a colocá-lo no topo da hierarquia aerodinâmica: “um avião – um tipo Concorde”, afirmando ainda que “de fato, sua posição é perfeita. Sou um admirador”, finalizou Francesco Moser.
