Sistema de rebaixamento da UCI teria favorecido equipes francesas, surgem conclusões surpreendentes após estudo

Uma análise detalhada publicada pelo Cyclingnews, lança o debate sobre a imparcialidade do sistema de rebaixamento da UCI. A jornalista Laura Weislo, dedicou 3 anos a investigar o funcionamento do sistema de promoção e rebaixamento do WorldTour.

Após examinar milhares de resultados e pontuações, sua conclusão foi contundente: o modelo de pontos teria beneficiado, de forma desproporcional, as equipes francesas durante o último ciclo.

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Um presidente francês e o favorecimento às equipes locais

Weislo descreve o achado como “surpreendente” e levanta uma possível relação entre o favorecimento e o fato de o presidente da UCI, David Lappartient, também ser francês.

Segundo Weislo, o novo sistema de pontos foi introduzido em 2020, sob a gestão de Lappartient, com a justificativa de promover mais equilíbrio e justiça competitiva entre as equipes. No entanto, a análise dos resultados mostra um cenário bem diferente.

Equipes como Cofidis e Arkéa-Samsic conseguiram manter suas licenças WorldTour, mesmo sem grandes resultados nas principais corridas, enquanto times como Lotto e Israel-Premier Tech, com desempenhos mais consistentes em provas de alto nível, acabaram rebaixados.

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Cyril Lemoine e Clement Russo em 2019

“Provavelmente não é coincidência”

“Provavelmente não é coincidência que um dirigente francês da UCI tenha alterado as regras exatamente naquele momento”, escreveu Weislo, destacando que a mudança ocorreu logo após a Academia de Ciclismo de Israel adquirir uma licença WorldTour da antiga Katusha.

O relatório aponta também, que, ao contrário do que a UCI prometia, o novo sistema aumentou a disparidade dentro do pelotão.

As equipes mais ricas, como UAE Emirates, Visma–Lease a Bike e Lidl–Trek, continuam monopolizando as estrelas e acumulando pontos, enquanto as equipes menores se veem forçadas a disputar corridas de menor prestígio para tentar sobreviver.

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“3º lugar na Faun-Ardèche vale mais que vitória de etapa no Tour de France”

Weislo cita um exemplo emblemático: durante o ciclo anterior, um 3º lugar na Faun-Ardèche Classic valia mais pontos que uma vitória de etapa no Tour de France. Essa distorção levou muitas equipes a mudarem radicalmente sua estratégia.

O sistema de pontos transformou o ciclismo em uma planilha”, ironizou a jornalista, ao criticar a lógica matemática que substituiu a busca pela vitória pelo simples acúmulo de pontos.

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Lorenzo Fortunato (XDS Astana) finalizou em 3º lugar a Faun-Ardèche Classic, vencida por Romain Gregoire (Groupama FDJ)

Astana recebe novo patrocinador e cientista de dados

A repórter destacou o caso da Astana Qazaqstan Team, que parecia condenada ao rebaixamento até receber o apoio de um novo patrocinador e de um cientista de dados. A combinação de investimento financeiro e planejamento analítico fez a equipe rever sua estrutura, deixando a parte inferior da tabela.

Para Weislo, o caso da Astana demonstra que “dinheiro e dados podem valer mais do que a pura excelência atlética”, evidenciando a perda do romantismo no ciclismo profissional, agora dominado por algoritmos e planilhas.

Ao final de sua investigação, Weislo afirma que o sistema de promoção e rebaixamento continua “instável e politicamente carregado”, gerando “um novo cenário, onde o dinheiro, a política e os interesses nacionais definem o destino das equipes”.

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