Tadej Pogacar concede longa entrevista “se eu tivesse perdido aquele Tour, minha carreira não teria sido a mesma”

Após uma temporada extraordinária, Tadej Pogacar (UAE Emirates) foi eleito pela primeira vez o “Campeão dos Campeões” do jornal L’Équipe, integrando agora o seleto grupo de lendas do esporte, que venceram o prêmio, como Michael Jordan, Usain Bolt, Lionel Messi, e Novak Djokovic (2024).

Apesar da honraria, Pogacar admite dificuldade em se colocar nesse patamar. “Sinceramente, eu não me colocaria nessa lista. Não consigo me colocar tão alto, não me sinto assim, afirmou Pogacar em uma longa entrevista, ao ser comparado a outras lendas de outros esportes.

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Esse é um dos motivos pelos quais o ciclismo não é valorizado como deveria

Tadej Pogacar tornou-se apenas o 2º ciclista da história a vencer o prêmio, repetindo Greg LeMond em 1989. Para ele, o ciclismo enfrenta desafios quando comparado a outros esportes mais populares.

“O ciclismo é muito peculiar e não é fácil de acompanhar ou praticar. É mais simples assistir a uma partida de tênis do que uma corrida que dura 6 horas”, explicou o esloveno ao L’Équipe.

“Em nossas corridas, 23 equipes competem juntas. Esse é um dos motivos pelos quais o ciclismo não é valorizado como deveria, talvez não seja visto com a mesma elegância que a NBA, o tênis ou o golfe.”

O esloveno também destacou a diferença em relação ao futebol e a outros esportes de grande apelo midiático. “O futebol também é mais simples porque todos falam sobre ele e todos conseguem explicá-lo. O ciclismo é diferente. É taticamente complexo e não tem a mesma visibilidade“.

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Pogacar e seu prêmio de “Campeão dos Campeões”

“Me surpreendo quando alguém pede para tirar uma foto com as mãos tremendo”

Mesmo assim, a fama de Tadej Pogacar cresceu significativamente nos últimos anos. Ainda assim, ele faz questão de manter a simplicidade. “Ainda estou no planeta Terra”, garantiu.

Ele descreveu as demonstrações de carinho dos fãs, especialmente dos mais jovens. “É maravilhoso ver crianças que adoram andar de bicicleta, especialmente quando me apoiam. Não me sinto uma estrela”.

“Sempre me surpreendo quando alguém me para na rua ou em um restaurante, mesmo quando estou em um restaurante e pede para tirar uma foto com as mãos tremendo”.

“Às vezes, nem sequer ouvem quando respondo e só querem a foto. Não sou uma grande estrela. Se viajo pela Ásia, as pessoas podem não me reconhecer. Em Barcelona, Bruxelas ou na Itália é diferente. Depende de onde estou.”

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Pogacar é o centro das atenções durante o último Tour de France

Não preciso provar o tempo todo que sou o melhor

Campeão dos Campeões em 2024, Novak Djokovic afirmou diversas vezes o desejo de marcar seu nome como o maior da história. Pogacar, comentou sobre a afirmação, adotando cautela sobre seu legado.

“Novak quer ser o maior de todos os tempos. Ele nunca desiste e sempre quer provar que é o melhor e que ainda pode ser o melhor agora”, analisou.

“Sei que um dia tudo isso vai acabar e eu vou querer uma vida normal. Não preciso provar o tempo todo que sou o melhor. Às vezes é bom competir sem sentir que preciso vencer. Os esportes são diferentes, assim como as mentalidades.”

Essa postura também se reflete na forma como ele encara a própria herança esportiva. “Não busco isso particularmente, se acontecer, eu aceito e sigo em frente”, afirmou Pogacar.

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“Eu vejo o ciclismo como uma brincadeira”

A alegria segue sendo o eixo central da relação de Tadej Pogacar com o ciclismo. “Eu vejo o ciclismo como uma brincadeira. Todos precisam fazer o que amam. Se você ama algo, deve saboreá-lo”, afirmou Pogacar.

Se você o encara como um jogo, tenho certeza de que funciona melhor para você. É diferente de dez anos atrás, mas eu ainda amo este esporte. Ele faz parte da minha vida e não me vejo fazendo outra coisa.”

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“Penso em tudo que possa me levar à vitória, não é um passeio no parque”

Pogacar é conhecido por seu estilo ofensivo, entretanto ele levou esse perfil a um novo nível em 2025. Nas semanas finais da temporada ele venceu o Campeonato Mundial, o Campeonato Europeu e a Il Lombardia, com poderosos ataques. “Por que ataco de tão longe? Porque é assim que venço”, explicou.

“Se eu esperar por um sprint, não tenho certeza se vou ganhar. Tenho sorte de sentir o momento certo para atacar sozinho. Às vezes funciona e eu venço, às vezes não e eu perco.”

Ele detalhou ainda o lado estratégico por trás das ações explosivas. “Penso em tudo que possa me levar à vitória. Administro minha energia. Analiso as brechas. Antecipo o que está por vir. Não é um passeio no parque.”

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Tadej Pogacar duela com o arquirrival Jonas Vingegaard na escalada do Mont Ventoux no Tour de France 2025

Se eu tivesse perdido aquele Tour, talvez as coisas fossem diferentes”

Apesar do domínio atual, Pogacar lembrou que sua trajetória começou longe do favoritismo. Em sua estreia no Tour de France, em 2020, ele era considerado um outsider.

No entanto, o contrarrelógio de 36 km em La Planche des Belles Filles, que lhe rendeu a Maillot Jaune de Primoz Roglic, tornou-se um dos momentos mais impactantes da história da prova.

“E se eu tivesse perdido o Tour de France de 2020 em La Planche des Belles Filles? Talvez as coisas fossem um pouco diferentes”, refletiu.

“Talvez houvesse menos pressão depois. Foi ótimo vencer naquela ocasião porque deu um grande impulso à minha carreira. Sem aquela vitória, minha carreira não teria sido a mesma”, finalizou Tadej Pogacar.

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Tadej Pogacar venceu a cronoescalada em um dos momentos mais emblemáticos da carreira do ciclista
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