“Tadej Pogacar domina todos os terrenos” diretor nega que percurso do Tour de France foi projetado para prejudicar Pogacar, assista o vídeo
O diretor do Tour de France, Christian Prudhomme, rejeitou a ideia de que o percurso do Tour de France de 2027 tenha sido elaborado para dificultar a vitória de Tadej Pogačar (UAE Emirates), favorecendo os rivais, como Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), e Remco Evenepoel (Red Bull Bora-hansgrohe).
A próxima edição da Grande Boucle contará com um total de 71 km de contrarrelógios individuais, a maior distância nessa especialidade desde 2012 (96 km). Ao mesmo tempo, o percurso terá 6 etapas de montanha, com 3 chegadas ao alto: Grand Colombier (9ª etapa), Les Saisies (11ª etapa) e Saint-Lary-Soulan, no Col du Portet (18ª etapa).
“Nunca fazemos um percurso para um ciclista“
Christian Prudhomme explicou ao canal L’Équipe, que os contrarrelógios poderão incentivar os escaladores a adotar uma postura mais ofensiva nas etapas de alta montanha.
“Os ciclistas que precisarão recuperar tempo perdido, em relação aos especialistas em contrarrelógio, estarão ainda mais determinados a atacar. Farão isso nas altas montanhas, um elemento essencial no cenário de qualquer Grand Tour”, explicou o diretor do Tour de France.
Segundo ele, as características da edição de 2027 também levam em consideração o crescimento de ciclistas capazes de combinar excelência no contrarrelógio com grandes desempenhos nas montanhas.
“Nunca fazemos um percurso para um ciclista específico, mas sim para tipos de ciclistas. Nos últimos anos, fizemos percursos que favoreciam mais os puncheurs”, afirma o francês.
“Evenepoel é capaz de fazer coisas incríveis na montanha“
“Aqui, encontramos ciclistas, penso especialmente no campeão Europeu, Campeão Mundial, Campeão Olímpico de Contrarrelógio (Remco Evenepoel), e vimos que ele também é capaz de fazer coisas incríveis na montanha”.
“Ele estava orgulhoso, com razão, aliás, na última volta, ao vencer no Plateu de Solaison. E há outros bons contrarrelogistas, penso obviamente também em Paul Seixas”, afirmou o diretor do Tour de France ao L’Équipe.
“Tadej Pogacar domina todos os terrenos”
Apesar da presença de mais quilômetros de contrarrelógio, Prudhomme reconheceu a capacidade de Tadej Pogačar de se destacar em diferentes tipos de percurso. “Sabemos muito bem que Tadej Pogacar domina em todos os terrenos, que ele tem um talento incrível. Colocamos paralelepípedos há alguns anos, isso não o assustou”.
O diretor também recordou o que aconteceu quando a organização introduziu trechos de estradas de terra.
“Agora, colocamos caminhos de terra, o que acontece? Vemos uma fuga de três, Tadej Pogacar, Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel. Ou seja, quando endurecemos, quando fazemos coisas diferentes, os melhores emergem ainda mais. Talvez isso aconteça novamente”.
“A história de Federico Bahamontes e Jaques Anquetil”
Para concluir, Christian Prudhomme recorreu à história do ciclismo para explicar a lógica por trás da escolha do percurso. “Sempre tive em mente a história de Federico Bahamontes (vencedor do Tour de France de 1959) e Jaques Anquetil (5x vencedor do Tour de France), o escalador e o rei dos contrarrelogistas”.
“Em algum momento, um ganha tempo no seu terreno e o outro recupera tempo no seu terreno. Mas quando tivemos durante anos e anos os mesmos ciclistas ganhando independentemente do percurso, pensamos que talvez possa haver um enfrentamento”, finalizou Christian Prudhomme.