“Tadej Pogacar é o favorito, mas eu preferiria estar no lugar de Evenepoel” tradicional comentarista acredita em vitória belga no Mundial de Ruanda
José De Cauwer fez uma avaliação detalhada do trajeto do Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada em Ruanda. O belga, que completou 76 anos nesta quinta-feira, percorreu o circuito para o jornal Sporza e apontou as principais dificuldades da prova.
Segundo ele, uma façanha como a que Tadej Pogacar realizou em Zurique em 2025 seria praticamente impossível no percurso africano.

“Será impossível repetir a façanha de Tadej Pogacar neste percurso”
A prova masculina do Mundial em Ruanda promete ser, nas palavras de De Cauwer, “uma guerra de ataques”.
O comentarista reforça que, embora o percurso abra espaço para ataques longos, as condições são bem mais duras do que em edições anteriores. “Será impossível repetir a façanha de Tadej Pogacar neste percurso”, afirma.

Monte Kigali: “um foguete de três estágios, com trechos muito íngremes”
O Monte Kigali surge como uma das principais atrações do trajeto. A subida, com 5,9 km a 6,9%, é descrita por De Cauwer como “um foguete de três estágios, com trechos muito íngremes”.
“Esta subida pode ser decisiva”, destaca o belga. “Se eles correrem a toda velocidade aqui, haverá um campo de batalha. Eles terão 15 ciclistas no topo.”

A posição da montanha no percurso, cerca de 100 km antes da chegada, pode lembrar o ataque solo de Pogacar em Zurique, porém de Cauwer não acredita em um longo ataque.
“Outro ataque como em Zurique é possível, mas se Pogacar conseguirá chegar até Kigali é outra história. Aqui, você está constantemente a uma altitude de 1.500 metros. Uma corrida assim é quase impossível. Duas voltas solo me parece o máximo.”

“Pogacar pode abrir vantagem por mais 15 segundos”
O grande questionamento para os belgas é se Remco Evenepoel conseguirá acompanhar Pogacar no Monte Kigali. De Cauwer acredita que sim. “Mas se estamos falando de um bom Evenepoel, ele tem o direito de ficar um pouco atrás no topo.”
O ex-diretor da seleção belga explica: “Nas estradas onduladas que se seguem, ninguém é mais rápido que Evenepoel. Então, Pogacar pode abrir vantagem por mais 15 segundos, mas Evenepoel ainda vai conseguir se recuperar”.

“Então, não sei se o Monte Kigali será realmente o fator decisivo, mas ele não está ali à toa, ali começa o final da competição”, complementou De Cauwer.
Côte de Kimihurura: “para mim, é a subida definitiva”
Após as grandes subidas, o pelotão retorna ao circuito local. A Côte de Kimihurura, (cerca de 5km antes da chegada), com 1,3 km a 6,3% de paralelepípedos, é apontada por De Cauwer como o trecho mais importante. O belga compara a subida às clássicas flamengas.

“A largura do Bosberg e a inclinação do Oude Kwaremont (tradicionais subidas do Tour de Flandres), especialmente aquele local onde Pogacar deixou Mathieu van der Poel e Wout van Aert para trás”.
“Se ele fará o mesmo aqui é outra história. Mas, para mim, esta é a subida definitiva. Pode não ser a mais difícil, mas é a mais crucial.”

“Como ciclista, eu preferiria estar no lugar de Evenepoel”
O circuito também inclui o Côte de Kigali Golf (800 metros a 8,1%). Porém, De Cauwer chama atenção para o ganho de elevação distribuído pelo restante do trajeto, incluindo o falso plano antes da chegada.
“Somando tudo o que vimos, seria de se esperar um solo aqui”, comenta. Para José De Cauwer, Pogacar ainda é o favorito, mas Remco Evenepoel pode se beneficiar do desenho do percurso.
“Quem é o favorito? Até alguns dias atrás, era Pogacar. Desde aquele contrarrelógio, isso mudou um pouco, mas ainda é Pogacar. Como ciclista, porém, eu preferiria estar no lugar de Evenepoel.”
