“Tadej Pogacar melhorou graças ao trabalho de força” treinadores de Pogacar explicam o trabalho por trás das vitórias

Quando Tadej Pogacar ataca de longe em uma prova, a reação costuma ser imediata e quase unânime: parece algo selvagem, empolgante e perigosamente arriscado, daquelas apostas com alta probabilidade de erro.

Dentro da UAE Emirates, porém, essa leitura é completamente equivocada. “Não há riscos em seus ataques solo”, afirmam o treinador Javier Sola e o diretor de desempenho Jeroen Swart, em conversa com ao Bici.Pro.

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Jeroen Swart e Javier Sola

Foi graças ao trabalho de força que ele melhorou”

É na organização diária dos treinos que surge a principal diferença entre a percepção do público e a realidade do trabalho de Pogacar capaz de sustentar ataques solitários de quase 100 km.

O trabalho de força e condicionamento fora da bicicleta”, explica Sola, “não é um detalhe secundário, mas sim um pilar central do programa. É tudo uma questão de preparação”.

Foi principalmente graças ao trabalho de força que ele melhorou em 2025. Isso também lhe permitiu melhorar sua forma física.”

Segundo Sola, “não há riscos em seus ataques solo” porque a potência e a resistência de Pogacar são sustentadas por uma base construída ao longo de anos de trabalho específico.

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“Sua eficiência está aumentando, como vimos nos contrarrelógios

O equilíbrio entre resistência aeróbica e força muscular é fundamental para manter esforços prolongados em subidas, contrarrelógios e fases de transição da corrida.

E Tadej é muito forte nisso, mas é algo que construímos e continuamos a construir ao longo dos anos. Some-se a isso o fato de que ele está se tornando cada vez mais experiente. E sua eficiência está aumentando, como vimos especialmente nos contrarrelógios.”

Este ano vamos continuar trabalhando força e alta intensidade”, acrescenta Sola. Durante o Training Camp em dezembro na Espanha, Pogacar frequentemente retornava uma hora depois dos colegas, evidenciando que o tradicional treino aeróbico segue sendo parte essencial do programa.

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Tadej Pogacar e Domen Novak ao encerrar o treino na Espanha

“Pogacar ainda não atingiu o limite absoluto de suas capacidades

A questão inevitável surge: Tadej Pogacar já alcançou seu limite máximo ou ainda pode evoluir? “Tadej ainda tem alguma margem de manobra”, explica Javier Sola.

Pogacar ainda não atingiu o limite absoluto de suas capacidades. Ainda é possível aumentar a força e a intensidade sem comprometer a gestão geral do esforço. Mas não me pergunte quanta margem é essa, porque eu não tenho uma bola de cristal”, complementa o espanhol.

Swart reforça essa visão: “Não se trata de revolução, nem de aumentar o volume, mas de otimização contínua: aprimorar pequenos aspectos do desempenho para transformar o que já era excelente em extraordinário”.

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O objetivo é torná-lo mais inteligente, não se trata apenas de Watts”

Claro que não é fácil; é preciso encontrar esse equilíbrio dinâmico entre esforço extremo e a capacidade de recuperação que permite sustentar ataques prolongados e repetir explosões de potência nos dias mais difíceis. Provavelmente ainda não conhecemos o verdadeiro limite de Tadej.”

Essa incerteza, longe de ser um problema, funciona como motivação constante. “O objetivo é torná-lo não apenas mais forte, mas também mais inteligente na gestão de energia, capaz de se adaptar às diferentes fases da corrida com precisão estratégica. Não se trata apenas de watts”, complementa Jeroen Swart.

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10 anos atrás, consumir 60 gramas de carboidratos parecia impossível, hoje, 120 é a norma

Outro elemento fundamental desse quebra-cabeça é a nutrição. Swart e Sola destacam que cada esforço físico é planejado em estreita relação com o que o atleta consome antes, durante e depois das provas.

O objetivo é sempre manter a homeostase energética (capacidade do corpo de manter um equilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia) o mais estável possível, evitando as chamadas ‘lacunas’ metabólicas que podem comprometer o desempenho no final. Dez anos atrás, consumir 60 gramas de carboidratos por hora parecia impossível; hoje, 120 gramas é a norma.”

Em outras palavras, a nutrição, especialmente o controle preciso de carboidratos parece exercer um papel decisivo no rendimento de Pogacar.

Tudo isso reforça a ideia inicial: a preparação vai muito além de planilhas de treino. “Não se trata mais apenas de pedalar com força, mas de fazê-lo com máxima coesão do sistema”, resume Swart.

A nutrição, portanto, é calibrada com precisão: fontes de carboidratos liberadas gradualmente, eletrólitos para o equilíbrio hídrico e suplementos específicos em momentos-chave durante a etapa e as sessões de treinamento“, finaliza o treinador.

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