Ex-ciclista do WorldTour analisa as derrotas de Tadej Pogacar “ele precisará de sorte para vencer a Milan-Sanremo”

O ex-ciclista irlandês Nicolas Roche, vencedor de 2 etapas da Vuelta a España (2013 e 2015) fez uma avaliação direta sobre os 2 Monumentos que Tadej Pogacar (UAE Emirates) ainda não conseguiu triunfar, a Milan-Sanremo e a Paris-Roubaix.

Em entrevista ao canal italiano Bici.Pro, o atual comentarista do Eurosport, destacou que, mesmo com sua inegável superioridade, pode não ser suficiente para garantir a vitória, especialmente diante do nível elevadíssimo de adversários, como Mathieu van der Poel.

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“Não gosto de dizer que, se ele não venceu a Milan-Sanremo é porque algo está errado”

Ao abordar o 1º Monumento da temporada, a Milan-Sanremo (21.03), uma das grandes ambições de Tadej Pogacar, Roche ressaltou a dificuldade está no próprio perfil da prova e na qualidade dos rivais.

“Não há nada de errado. Se você observar os tempos de subida, eles estão mais rápidos do que nunca, então não gosto de dizer que, se ele não venceu, é porque algo está errado”.

“É preciso respeitar a competição. Acho que a Milan-Sanremo é uma corrida em que os velocistas andam tão rápido quanto os candidatos à vitória e historicamente vimos protagonistas como Filippo Ganna, Mathieu Van der Poel e Wout Van Aert”.

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“Para Pogacar é muito difícil, o sprinters conseguem se manter nessas subidas”

Roche explica que o Poggio, a subida decisiva da prova, favorece ciclistas extremamente potentes, capazes de imprimir velocidades altíssimas em poucos minutos. “São ciclistas rápidos, especialistas em clássicas que conseguem gerar uma potência altíssima no Poggio em menos de 5 minutos”.

“A parte final, é uma subida feita a uma velocidade média de quase 40 km/h. No Poggio, existe apenas um ponto onde você pode ir rápido e tentar fazer a diferença: uma rampa a 1,5 km do topo”.

Segundo o irlandês, ex-ciclista da SKY, o nível atual dos sprinters torna a missão de Pogacar ainda mais complicada. “Para Pogacar, é muito difícil, o nível dos sprinters hoje é tão alto, que eles conseguem se manter firmes nessas subidas”.

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“Pogacar precisará de ‘um golpe de sorte para vencer a Milan-Sanremo'”

Questionado sobre possíveis erros de Pogacar em duelos contra Mathieu van der Poel, Roche destacou a complexidade dos desafios. “É difícil dizer, Mathieu Van der Poel venceu a Amstel Gold Race (2019) em um sprint alucinante, e em outras ocasiões venceu provas mais curtas, aproveitando sua explosão do Ciclocross”.

“Se falarmos da Milan-Sanremo, Pogacar precisará de sorte para vencer, ou melhor, de um “golpe de sorte”: o momento em que os outros se olham de perto. Mas não será fácil para ele, pois todos o estão marcando de perto”.

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Mathieu van der Poel ao vencer a Amstel Gold Race em um sprint épico

“Um ciclista com 15 kg a menos conseguiu ser tão rápido quantos os especialistas na Paris-Roubaix”

Nicolas Roche falou também da Paris-Roubaix, reconhecendo que o desempenho de Pogacar foi impressionante, embora insuficiente para a vitória.

“Sabíamos que ele seria forte. O problema é que a Paris-Roubaix não é a Sanremo ou o Tour: é uma corrida peculiar; mil coisas podem acontecer, de furos a quedas”.

“O posicionamento é fundamental, as equipes com ciclistas acostumados à Roubaix estão sempre na frente. Além disso, há o desempenho, as qualidades físicas e técnicas. Pogacar é muito bom; ele é ágil. E, para mim, ele exagerou no ano passado… talvez até demais, com aquela queda na curva”.

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Pogacar deu adeus à vitória na Paris-Roubaix após sua queda

“Ele também teve um pouco de azar. Eu não diria que lhe faltou algo, além de um pouco de experiência em comparação com Van der Poel. Mas o que me impressionou é que um ciclista que pesa 15 kg menos que os especialistas consegue ser tão rápido nos pavés”.

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Derrota para Wout van Aert na última etapa do Tour de France

Por fim, Roche comentou a etapa final do Tour de France, no circuito de Montmartre. Naquele dia, Wout van Aert apostou todas as fichas na vitória em um piso escorregadio. Mesmo assim, Tadej Pogacar finalizou a etapa finalizou na 2ª posição, após uma longa disputa.

“Naquele dia, Van Aert estava totalmente focado na etapa final do Tour de France . Ele dedicou todas as suas energias, mesmo correndo o risco de sofrer uma queda e perder tudo”.

Com a chuva, ele sabia que aquela poderia ser a sua chance. Talvez sem a chuva, teríamos visto outra corrida. Pogacar tinha mais a perder”, finalizou Nicolas Roche.

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