“Tadej Pogacar vence pela força, não pela tática” campeão do Tour, Giro e Vuelta analisa o domínio do bicampeão mundial
Tadej Pogacar fechou a temporada de 2025 reafirmando seu domínio no ciclismo mundial. O esloveno voltou a impressionar pela força física, com diversas vitórias conquistadas através de ataques de longa distância.
Ainda assim, um objetivo segue ainda sem ser conquistado: a Milan-Sanremo. A clássica italiana, exige mais do que potência. Ele pede paciência, leitura de corrida e a escolha exata do momento decisivo.
Para Vincenzo Nibali, vencedor do Tour, Giro e Vuelta e campeão da Milan-Sanremo 2018 é justamente nesse ponto que Mathieu van der Poel leva vantagem. Segundo o italiano, em entrevista ao Bici.Pro a abordagem de Pogacar, baseada sobretudo na força, não é suficiente para conquistar o Monumento italiano.

“Hoje a média é 47 km/h, o pelotão não te deixa mais ir”
Nibali inicia sua análise destacando a transformação do ciclismo nos últimos anos. “Competíamos a uma média de 42 km/h. Hoje é 47 km/h”, afirmou o italiano.
“Esses 5 km/h não se resumem apenas ao treino. Eles dizem respeito a todo o conjunto da corrida. A bicicleta, o guidão, o selim, o canote, as rodas, as sapatilhas, as meias, a bermuda. Tudo tem um desempenho melhor.”
A consequência direta desse novo cenário é clara. “Para atacar quando o pelotão está a 45 km/h, você precisa ir a 50 km/h. O nível de exigência aumenta e você precisa manter essa velocidade por mais tempo, porque o pelotão não te deixa mais ir.”
Esse contexto ajuda a entender as dificuldades enfrentadas por Pogacar na Milan-Sanremo. Sua estratégia é endurecer a corrida no Poggio e provocar uma seleção natural. Para Nibali, poucos ciclistas ainda são capazes de executar esse plano, e Pogacar está entre eles.

“Qualquer corrida que ele vença, ele vence pela força, não pela tática”
Mesmo reconhecendo as dificuldades, Nibali faz questão de ressaltar o talento singular do esloveno. “A exceção é Pogacar. Ele tem uma explosão notável, depois encontra seu ritmo e leva todos ao limite, e quando você está no limite, leva muito tempo para se recuperar.”
Segundo Nibali, Pogacar costuma correr com a convicção de que o movimento mais potente será sempre o decisivo. “Qualquer corrida que ele vença, ele vence pela força, não pela tática”, disse Nibali. “Ele ataca porque é mais forte. Mas quem vence com astúcia e tática? Van der Poel.”

“O limite de Pogacar é achar que consegue controlar tudo apenas com força”
Nibali aprofunda sua análise ao falar especificamente da clássica italiana. “Talvez o limite dele, se é que podemos chamar isso de limite, seja achar que consegue controlar tudo apenas com força”, continuou.
“Veja a Milan-Sanremo: ele tenta deixar todo mundo para trás na subida, sem pensar na possibilidade de vencer como eu venci, na descida.”
Diante de Mathieu van der Poel, esses detalhes ganham ainda mais importância. Nibali relembrou um momento-chave no Poggio durante a Milan-Sanremo 2025.
“Quando Pogacar atacou e Van der Poel o manteve na mira, eu imediatamente pensei que, se Tadej não tomasse cuidado, o outro contra-atacaria e o deixaria para trás”, recordou. “Um segundo depois, foi exatamente o que aconteceu.”

“Na minha opinião, ele perdeu a Milan-Sanremo naquele exato momento”, afirmou o italiano. A partir dali, Van der Poel fez valer sua frieza e inteligência de corrida. Assumiu a liderança, manteve a calma, avaliou cada movimento e controlou a situação até a vitória em Sanremo.
